Museu do Holocausto de Curitiba inaugura nova Sala dos Guetos no Dia Internacional da Memória
- Editor Paranashop
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No dia 27 de janeiro, data que marca os 81 anos da libertação de Auschwitz e o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, o Museu do Holocausto de Curitiba inaugurou a nova Sala dos Guetos, um espaço completamente reformulado que amplia o acervo e aprofunda a compreensão sobre o confinamento imposto a judeus e aos povos Roma e Sinti durante o regime nazista.
A sala, agora modernizada, integra o percurso expositivo da instituição e reúne cerca de dez objetos originais — alguns exibidos ao público pela primeira vez. Entre eles, destaca-se o raro disco de vinil “La canciones del Ghetto”, de 1966.
A entrega integra um plano contínuo de atualização do museu, que prevê a renovação anual de cada ambiente expositivo.
Segundo Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba:
“A memória do Holocausto continua sendo construída ao longo dos anos. Estamos sempre atualizando a exposição para dialogar com novas gerações e trazer aprimoramentos tecnológicos e de acessibilidade. Cada objeto dessa nova sala conta a história de alguém.”
Tecnologia, acessibilidade e novos itens de acervo
A Sala dos Guetos recebeu adaptações completas de acessibilidade, como mapa tátil e tablets que ampliam a experiência de visitação. Entre os novos itens expostos estão:
Cartão de racionamento de Emil Weinhausen do Gueto de Theresienstadt
Cédulas e moedas dos Guetos de Lodz e Theresienstadt, datadas de 1943
Fotografias históricas de grande impacto, incluindo a imagem de crianças do Gueto de Lodz
Uma dessas crianças é Aleksander Henryk Laks, sobrevivente do Holocausto que imigrou para o Brasil, onde dedicou a vida à educação sobre o tema. Laks faleceu em 2015, aos 88 anos.
Evento “Eu Nunca Mais Vi Outra Borboleta” marca abertura da sala
A inauguração ocorreu durante o evento “Eu Nunca Mais Vi Outra Borboleta”, inspirado no poema “A Borboleta”, escrito pelo jovem Pavel Friedmann no Gueto de Theresienstadt. Friedmann foi assassinado em Auschwitz em 1944, aos 23 anos.
O encontro destacou a importância da memória histórica diante do avanço da desinformação e do negacionismo.
O sobrevivente Claude Franck Loewenthal, de 81 anos, emocionou o público ao relembrar sua trajetória:
“Apesar de tantas provas e registros, ainda há quem negue o Holocausto. Cabe a nós manter viva essa memória.”
Claude nasceu em 1944, após sua mãe — presa em dois campos de concentração na França — receber autorização para dar à luz em uma maternidade da Cruz Vermelha. Seu pai foi deportado e assassinado. Claude vive em Curitiba desde a década de 1950, onde atuou na Copel e na UTFPR.
Durante a solenidade, netos e bisnetos de sobreviventes acenderam seis velas em homenagem aos seis milhões de judeus mortos pelo regime nazista.
Autoridades reforçam combate ao antissemitismo
Lideranças da comunidade judaica paranaense participaram do evento, entre elas:
Atila Cordova, presidente da Kehilá
Fernando Brodeschi, vice-presidente da Federação Israelita do Paraná
Cordova reforçou o compromisso ético da memória:
“O Holocausto é um alerta permanente sobre onde o ódio, a desumanização e a indiferença podem nos levar.”
Visitação ao Museu do Holocausto
As visitas são gratuitas, mediante agendamento prévio no site oficial.
📌 Informações importantes:
Grupos escolares e institucionais: até 45 visitantes
Idade mínima: 12 anos (8º ano do Fundamental)
Agendamentos para grupos: disponíveis a partir de 1º de março
Contato: (41) 3093-7462 | agendamento@museudoholocausto.org.br

















