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Mulheres sofrem mais problemas psicológicos na pandemia

9 de mai. de 2021
3 min de leitura

Estudo internacional fez a descoberta, o que levanta a necessidade de mudar rotinas em casa e até mesmo procurar ajuda especializada


Uma pesquisa realizada nos países mais ricos do mundo apontou uma influência direta da crise gerada pela pandemia da Covid-19 na saúde mental das mulheres. O levantamento “Women´s Forum”, feito pela Consultoria Ipsos, constatou que mulheres têm sido mais afetadas do que os homens por esgotamento, medo e sensações de desamparo na Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Itália e França.


O resultado da pesquisa não surpreende, segundo a professora Daniela Jungles, psicóloga e supervisora do Serviço-Escola de Psicologia do UniCuritiba – instituição de ensino superior que faz parte da Ânima, uma das principais organizações educacionais do país. “A pesquisa está correta e as mulheres sofrem muito mais de transtornos mentais. Isso já acontecia antes, mas a pandemia exacerbou esses comportamentos e transtornos que nós, mulheres, infelizmente já carregávamos antes dessa crise”, afirmou.


Preocupações extras

De acordo com a psicóloga, várias situações comprovam que as mulheres estão sofrendo mais. Ela cita a influência da dupla jornada, com o trabalho fora e em casa. Com a pandemia, essa situação se agravou.


“Em relação à pandemia, o que sobrecarregou as mulheres? Além das demandas que já tinham, elas passaram a fazer o acompanhamento escolar dos filhos. Com tudo isso, a última coisa que uma mulher vai pensar neste momento é o cuidado com uma atividade física ou o lazer”, explicou.


A pesquisa realizada nos países mais ricos do mundo apontou que entre as mulheres, 59% disseram estar com ansiedade, depressão ou esgotamento. Já entre os homens, no mesmo levantamento para saber o estado emocional para enfrentar a pandemia, 46% confirmaram as mesmas sensações. As entrevistas revelaram também que 73% das ouvidas têm medo do futuro, contra 63% do sexo masculino.


Sensação de desamparo

O estudo quis saber em quem a carga mental experienciada foi mais fortemente abalada. Entre as mulheres, 46% acreditam estar fazendo mais do que outros por pessoas fragilizadas ao redor. Nos homens, são 40%. A análise revelou que 46% das participantes sentem que ninguém as ajuda, enquanto 39% no grupo masculino têm a mesma percepção.


Esse conjunto de fatores observado na pesquisa e no dia a dia – como a preocupação com familiares – afeta diretamente o lado emocional. “Preocupando-se muito mais com a família, a gente acaba prejudicando a nossa própria saúde mental”, alerta Daniela.


Mas existe maneira de reagir. A psicóloga orienta que, em primeiro lugar, “temos que ter consciência de que não vamos conseguir fazer tudo, não temos superpoderes”. Outra sugestão é procurar se cercar de pessoas que possam ajudar de alguma forma a aliviar a carga de trabalho.


“Precisamos de uma rede de apoio. Mulheres que vivem numa grande cidade, sem familiares morando perto, precisam ter formas de buscar esse suporte, nem que seja usando a tecnologia para conversar com uma amiga para desabafar, contar que o dia foi difícil, esvaziar esse sentimento carregado de emoção negativa.”


Criar rotinas de relaxamento

Na rotina de casa, a psicóloga aponta ser importante criar rotinas para ter atividades de autocuidado, com programas de lazer (“aquela série de tv favorita” que a gente estava pensando em assistir), atividades físicas e alimentação equilibrada.


Um costume novo pode evitar que o esgotamento evolua para uma doença que exija tratamento de profissional especializado, com apoio de medicação. “São atividades que podem evitar transtornos mentais. O estresse prolongado leva a transtornos de ansiedade, que evoluem para transtornos depressivos também”, explica Daniela.


Prejuízo para todos

O prejuízo é repassado à família; não fica só na mulher. “Uma mãe esgotada vai ser uma mãe irritada, menos disposta a ter uma atividade prazerosa com os filhos e conviver com o marido. Quando a mulher adoece, a família vai adoecer também”, afirma Daniela.


A ajuda de um profissional é indicada se os sintomas persistirem, tudo para evitar um mal ainda maior. “Sempre digo aos meus pacientes: por que sofrer tanto se existe tratamento? É muito importante passar por uma avaliação com profissionais da área da saúde mental.”


Atendimento

O UniCuritiba dispõe da Clínica-Escola do curso de Psicologia. O centro de estudos pode ser uma alternativa nestes tempos de pandemia, com tantos efeitos psicológicos. O projeto de atendimento a pacientes é gratuito, online e pode ajudar as pessoas que sentem a necessidade de uma orientação mais especializada no campo emocional.


A Clínica-Escola se destina ao desenvolvimento de atividades da prática profissional relacionadas ao curso de Psicologia, seja por meio dos estágios curriculares, projetos de extensão, ensino ou pesquisa.


“Somos pessoas diferentes e não existe receita pronta. Nada melhor do que ir lá, consultar com o profissional certo e contar a sua história, dizer onde dói e como é difícil carregar esse fardo”, orienta Daniela. A saúde do corpo e da mente agradece.


Conteúdo originalmente publicado pelo Paranashop em 10 de maio de 2021 e recuperado para preservação do arquivo editorial.

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