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Moro lidera, Sandro reage e Senado vira principal guerra eleitoral

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
    Marcos Paulo Assis
  • há 1 dia
  • 8 min de leitura

A primeira semana oficial de campanha expôs a força de Moro, o tamanho da estrutura governista e uma disputa pelo Senado ainda sem favoritos consolidados.


Moro lidera, Sandro reage e Senado vira principal guerra eleitoral

A primeira semana oficial de campanha confirmou aquilo que os bastidores políticos do Paraná já vinham indicando: Sergio Moro começa a corrida pelo Governo do Estado em vantagem, mas a estrutura montada pelo grupo de Ratinho Junior tornou a disputa muito mais competitiva do que os números isolados podem sugerir. A aliança entre Sandro Alex e Rafael Greca, o maior tempo de propaganda eleitoral da chapa governista e a divisão do eleitorado conservador na corrida pelo Senado formam o principal conjunto de fatores que pode alterar o cenário nas próximas semanas.


Duas pesquisas divulgadas nesta semana ajudam a explicar a fotografia. A Quaest, realizada entre 20 e 23 de agosto com 804 eleitores, apontou Moro com 37%, Requião Filho com 21% e Sandro Alex com 15%. O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrado no TSE sob o número PR-05388/2026.


Poucos dias depois, o Real Time Big Data apresentou um quadro diferente: Moro apareceu com 35%, Sandro Alex subiu para 23% e Requião Filho ficou com 20%. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 24 e 27 de agosto, tem margem de erro de dois pontos e foi registrada sob o número PR-07845/2026.


As pesquisas não são contraditórias. Foram realizadas em períodos diferentes, por institutos diferentes e com metodologias próprias. O que elas revelam, em conjunto, é que Moro consolidou uma posição de liderança, enquanto a disputa pela segunda colocação permanece aberta.


A vantagem de Moro não significa eleição encaminhada


O senador do PL começa a campanha com um ativo poderoso: seu nome já está associado a uma parcela significativa do eleitorado paranaense. Na pesquisa Real Time, ele chegou a 35% no cenário estimulado e 16% na consulta espontânea. Na Quaest, marcou 37% no cenário estimulado, mas apenas 13% quando os nomes não eram apresentados.


A diferença entre os dois números merece atenção. Ela mostra que uma parcela expressiva dos eleitores ainda não transformou a preferência por Moro em uma decisão espontânea e consolidada. Na pesquisa Real Time, 51% não souberam apontar espontaneamente em quem pretendiam votar para governador. Na Quaest, esse percentual chegou a 73%.

Isso significa que a campanha ainda tem muito espaço para produzir mudanças.


Moro também enfrenta um desafio específico: sua trajetória política é fortemente marcada pela atuação nacional, pela Lava Jato, pelo período no governo federal e pela passagem pelo Senado. Para disputar o Palácio Iguaçu, terá de convencer o eleitor de que possui um projeto administrativo capaz de responder a problemas cotidianos do Estado.


Segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, agronegócio, ambiente de negócios e equilíbrio das contas públicas precisarão ocupar espaço maior na campanha. A eleição estadual não será decidida apenas pela avaliação que o eleitor faz da política nacional.


Sandro Alex ganhou estrutura, mas precisa ganhar votos


A grande operação política do período foi a composição entre Sandro Alex e Rafael Greca.

O ex-prefeito de Curitiba abandonou a candidatura própria ao Governo e aceitou disputar a vice na chapa encabeçada por Sandro Alex, movimento oficializado no final de julho. A aliança entre PSD e MDB ampliou o arco de apoio à candidatura governista.


A decisão de Greca tem peso eleitoral principalmente porque reduz a possibilidade de fragmentação do campo ligado ao governo Ratinho Junior. Em vez de disputar diretamente com Sandro, o ex-prefeito passou a integrar a chapa que pretende representar a continuidade administrativa.


Greca também levou para a aliança seu plano de governo, apresentado como contribuição programática ao projeto de Sandro Alex. O gesto foi utilizado pelos aliados para mostrar que a composição não seria apenas uma soma de partidos, mas uma união em torno de propostas.


Há, porém, uma questão política que a campanha terá de resolver: Greca pode ajudar Sandro a conquistar Curitiba, mas não substitui a necessidade de ampliar a candidatura no interior.


O Paraná não elege governador apenas com uma boa votação na capital e na Região Metropolitana. A força de prefeitos, deputados, lideranças empresariais e estruturas municipais no interior será fundamental para transformar a vantagem partidária em votos.


O tempo de propaganda é uma arma, não uma garantia


A chapa de Sandro Alex também começa a campanha com uma vantagem concreta na propaganda eleitoral.


Na distribuição do horário eleitoral em rede, a coligação liderada pelo PSD ficou com 4 minutos e 26 segundos em cada bloco de nove minutos, contra 2 minutos e 20 segundos para Requião Filho e 2 minutos e 14 segundos para Sergio Moro, segundo a distribuição divulgada com base no plano de mídia eleitoral.


Já na distribuição das inserções diárias, os números são diferentes: Sandro Alex terá 6 minutos e 54 segundos, enquanto Requião Filho terá 3 minutos e 37 segundos e Moro, 3 minutos e 28 segundos.


A vantagem é expressiva e pode fazer diferença principalmente entre eleitores menos envolvidos com política.


Mas televisão não resolve candidatura mal posicionada. O eleitor pode receber centenas de segundos de propaganda e continuar sem saber por que deveria votar em determinado candidato. O desafio de Sandro será transformar exposição em identidade eleitoral.

A campanha governista precisa responder a uma pergunta que parece simples, mas é decisiva: o eleitor quer a continuidade de Ratinho Junior ou quer um novo governador?


Se a resposta predominante for continuidade, Sandro terá vantagem. Se o eleitor separar a avaliação do atual governo da escolha de seu sucessor, a disputa poderá ficar mais difícil.


Requião Filho ainda tem espaço para crescer


Requião Filho ocupa uma posição peculiar. Na Quaest, aparece em segundo lugar com 21%; no Real Time, ficou em terceiro com 20%, tecnicamente próximo de Sandro Alex.

Mais importante que a posição numérica é sua capacidade de ocupar um espaço político que não pertence nem ao bolsonarismo de Moro nem à continuidade administrativa representada por Sandro.


O sobrenome Requião continua tendo reconhecimento no Estado, mas também carrega rejeição. No Real Time, Requião Filho apresentou 41% de rejeição, o maior índice entre os candidatos testados. Moro marcou 39% e Sandro Alex, 29%.


A campanha pedetista terá, portanto, uma tarefa dupla: manter o eleitorado que já conhece a família Requião e buscar votos entre aqueles que desejam uma alternativa ao grupo de Ratinho, mas não necessariamente se identificam com Moro.

É uma faixa eleitoral relevante. O problema é que ela também é disputada por diferentes forças políticas.


Senado: cinco nomes disputam duas cadeiras


Se a eleição para governador começa a desenhar uma disputa de três nomes, a corrida pelo Senado permanece muito mais aberta.


O Paraná escolherá dois senadores em 2026. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 28 de agosto, Deltan Dallagnol apareceu com 20% na soma dos dois votos, Alexandre Curi com 18%, Filipe Barros com 17%, Gleisi Hoffmann com 15% e Cristina Graeml com 14%. A diferença entre o primeiro e o quinto colocado foi de apenas seis pontos.


Na Quaest, realizada alguns dias antes, Alexandre Curi tinha 15%, Gleisi 11%, Filipe Barros e Deltan Dallagnol 9% cada e Cristina Graeml 8%. O levantamento registrou ainda 28% de indecisos e 13% de votos brancos, nulos ou de eleitores que não pretendiam comparecer.

A diferença entre os levantamentos mostra como é prematuro falar em favoritos consolidados.


Existe ainda uma característica peculiar da eleição para o Senado: cada eleitor poderá escolher dois nomes. Isso cria espaço para estratégias de segundo voto e acordos regionais que nem sempre aparecem publicamente.


A fragmentação do campo de direita é particularmente relevante. Dallagnol, Filipe Barros, Cristina Graeml e Alexandre Curi disputam parcelas semelhantes do eleitorado, embora estejam em grupos políticos diferentes. A divisão pode beneficiar candidatos com bases eleitorais próprias, como Gleisi Hoffmann.


A eleição começa a sair das redes e chegar à rua


O início da propaganda eleitoral muda o comportamento das campanhas. Até aqui, a disputa foi dominada por convenções partidárias, pesquisas, alianças e redes sociais. Agora os candidatos precisam falar simultaneamente com públicos muito diferentes.


Um empresário de Londrina, um produtor rural de Cascavel, um trabalhador de Ponta Grossa e uma família da Região Metropolitana de Curitiba podem votar para governador por razões completamente diferentes. A mesma campanha terá de dialogar com todos eles sem parecer contraditória.


Esse é o teste real da profissionalização eleitoral.


A força digital de Moro, a estrutura partidária de Sandro Alex e a identidade política de Requião Filho são ativos diferentes. Nenhum deles, isoladamente, garante vitória. A capacidade de transformar esses ativos em uma mensagem compreensível será mais importante do que a quantidade de publicações nas redes sociais.


O Paraná ainda não escolheu seu próximo governador


O cenário de 30 de agosto é de liderança de Moro, reação de Sandro Alex e uma terceira via representada por Requião Filho ainda capaz de crescer. O grupo governista possui a maior estrutura de propaganda e uma aliança que incorporou Greca. Moro tem a vantagem nas pesquisas e uma base política nacionalizada. Requião tem espaço para explorar o sentimento de oposição ao atual grupo no poder.


Nenhum desses fatores deve ser confundido com voto depositado na urna.

As pesquisas mostram uma fotografia, não uma sentença. E a fotografia desta semana contém uma informação especialmente relevante: há muita gente que ainda não decidiu.


A disputa pelo Governo do Paraná será definida quando esses eleitores começarem a escolher não apenas quem rejeitam, mas quem consideram preparado para administrar o Estado. No Senado, a equação será ainda mais complexa, porque dois votos terão de ser distribuídos entre candidatos que disputam o mesmo espaço político.


O verdadeiro bastidor da eleição, daqui para frente, estará menos nos discursos de palanque e mais na capacidade de cada grupo de organizar prefeitos, vereadores, lideranças regionais, comunicação, televisão e redes sociais em torno de uma mensagem simples e convincente.


A pergunta que permanece aberta é justamente a mais importante: o Paraná está procurando continuidade, mudança ou apenas um nome em que possa confiar? A resposta ainda não apareceu nas pesquisas — e será essa resposta que decidirá a eleição.


Radar dos principais nomes


Sergio Moro (PL) — Lidera os levantamentos recentes para o Governo do Paraná. Seu principal desafio é transformar uma candidatura de forte identidade nacional em uma proposta estadual de governo.


Sandro Alex (PSD) — Representa a continuidade do grupo político de Ratinho Junior e dispõe da maior estrutura de propaganda entre os principais candidatos. Precisa ampliar seu desempenho eleitoral além da estrutura partidária.


Requião Filho (PDT) — Mantém votação competitiva e ocupa o espaço de principal candidato de oposição ao grupo governista fora do campo de direita. A elevada rejeição é seu principal obstáculo.


Rafael Greca (MDB) — Ex-prefeito de Curitiba e candidato a vice de Sandro Alex. Sua presença fortalece a chapa governista especialmente na capital e acrescenta experiência administrativa ao projeto.


Alexandre Curi (Republicanos) — Aparece entre os líderes da corrida ao Senado e integra o amplo grupo político que apoia Sandro Alex.


Deltan Dallagnol (Novo) — Está entre os nomes mais competitivos nos levantamentos para o Senado. Sua candidatura, entretanto, deve ser acompanhada também sob o aspecto jurídico-eleitoral, dada sua situação anterior perante a Justiça Eleitoral.


Filipe Barros (PL) — Disputa o Senado pelo campo político associado a Moro e ao bolsonarismo, enfrentando concorrência direta de outros nomes da direita.


Gleisi Hoffmann (PT) — Principal nome do campo petista na disputa pelo Senado. Possui eleitorado consolidado e pode se beneficiar da fragmentação dos candidatos de direita.


Cristina Graeml (PSD) — Mantém presença competitiva na corrida ao Senado e representa uma parcela do eleitorado conservador que ganhou visibilidade na eleição municipal de Curitiba de 2024.


Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

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