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Interesse pela Seleção na Copa 2026 divide torcedores e desafia audiência da TV

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
    Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

Estreia do Brasil reacende a paixão nacional, mas mudanças no consumo de mídia, novas gerações de narradores e críticas à cobertura esportiva revelam um cenário diferente das Copas anteriores.


Interesse pela Seleção na Copa 2026 divide torcedores e desafia audiência da TV

O interesse continua forte, mas já não é unânime


Os sinais mostram que a Copa ainda mobiliza milhões de brasileiros. Em Curitiba, bares, pubs e restaurantes prepararam programações especiais, telões e eventos temáticos para a estreia da Seleção. A expectativa do setor é de aumento de até 50% no movimento em comparação com dias normais.


Por outro lado, existe uma percepção crescente de que a Seleção perdeu parte de sua conexão emocional com o torcedor comum. Nas décadas de 1990 e 2000, os jogadores eram vistos como representantes diretos do país. Hoje, muitos atuam desde muito jovens na Europa, têm pouca identificação com os clubes brasileiros e vivem uma realidade distante da maioria dos torcedores.


A audiência da Globo cresceu?


Ainda é cedo para uma comparação definitiva com 2022, mas alguns dados iniciais indicam que a Copa segue sendo um dos raros eventos capazes de reunir grandes audiências na TV aberta. A Globo alcançou cerca de 21 milhões de pessoas nos primeiros dias do torneio e registrou índices expressivos no Painel Nacional de Televisão.


O desafio é que o cenário mudou radicalmente. Em 2022, a Globo chegou a registrar 51 pontos na estreia do Brasil e dominou 77% dos televisores ligados.


Hoje, a audiência está fragmentada entre Globo, SBT, CazéTV, YouTube, streaming e redes sociais. Portanto, mesmo que a soma total de espectadores seja enorme, ela não se concentra mais em uma única emissora.


A ausência de Galvão Bueno fez diferença?


Sem dúvida.


A Copa de 2026 é a primeira em mais de quatro décadas sem Galvão Bueno narrando pela Globo. O narrador tornou-se parte da memória afetiva de várias gerações e sua saída representa uma mudança cultural importante.


A recepção aos novos narradores tem sido positiva do ponto de vista técnico, mas ainda não existe uma voz capaz de ocupar o mesmo espaço simbólico. Galvão não era apenas um narrador; era um personagem da própria Copa.


Curiosamente, sua ida para o SBT mostra que seu nome continua sendo um ativo valioso para atrair público. A emissora aposta justamente no peso histórico de Galvão para competir com a Globo.


Curitiba entrou no clima


Apesar das discussões sobre audiência e interesse nacional, Curitiba voltou a viver o clima típico de Copa.


Diversos bares organizaram eventos especiais, com ingressos antecipados, DJs, shows e promoções. Casas tradicionais e novos espaços apostaram na transmissão dos jogos como grande oportunidade comercial.


A movimentação nas ruas e nos estabelecimentos sugere que, quando a bola rola, a Copa continua sendo um dos poucos eventos capazes de reunir pessoas presencialmente em larga escala.


O excesso de idolatria também afasta parte do público


Um dos pontos mais debatidos nas redes sociais é a forma como parte da imprensa cobre determinados atletas.


Durante anos, Neymar recebeu tratamento muitas vezes próximo da celebridade de entretenimento, com grande espaço para assuntos extracampo. O mesmo fenômeno começa a ocorrer com Vini Jr., embora por razões diferentes.


O problema não está em reconhecer o talento dos jogadores. O problema surge quando a cobertura abandona a análise crítica e passa a funcionar como uma espécie de assessoria informal.


O torcedor moderno é mais informado, acompanha futebol internacional diariamente e percebe rapidamente quando uma entrevista evita perguntas difíceis ou quando uma atuação abaixo do esperado recebe justificativas excessivas.


Em Copas anteriores, nomes como Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho eram admirados, mas também recebiam críticas duras quando jogavam mal. Hoje, muitos torcedores reclamam que parte da cobertura esportiva parece preocupada em preservar imagens pessoais em vez de avaliar desempenho.


Uma Copa diferente


A estreia da Seleção mostra que a Copa do Mundo continua sendo um fenômeno nacional. Mas o Brasil de 2026 é diferente do Brasil de 2002 ou 2014.


A audiência está espalhada em várias plataformas. Os narradores históricos deixaram espaço para novas vozes. Os jogadores são mais globais e menos identificados com o cotidiano do torcedor. E a imprensa enfrenta um público muito mais atento e crítico.

Talvez a paixão não tenha diminuído. Ela apenas deixou de ser automática.


Fontes: Globo, Meio & Mensagem, Lance!, UOL Esporte, CBN Curitiba, Tribuna do Paraná, TopView.

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