top of page

Feira do Largo da Ordem: artesanato, arte e tradição em Curitiba

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
    Marcos Paulo Assis
  • há 1 dia
  • 6 min de leitura

Aos domingos, o Centro Histórico de Curitiba vira ponto de encontro para artesãos, colecionadores, artistas de rua, turistas e moradores.


Feira do Largo da Ordem movimentada com barracas de artesanato, artistas e visitantes no Centro Histórico de Curitiba
Feira do Largo da Ordem reúne artesanato, antiguidades, gastronomia e manifestações artísticas no Centro Histórico de Curitiba. Crédito: Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.

Domingo de manhã, o Centro Histórico de Curitiba ganha uma dinâmica que não se repete em nenhum outro dia da semana. As ruas do entorno do Largo da Ordem recebem artesãos, artistas plásticos, colecionadores, vendedores de antiguidades, comerciantes de alimentos e artistas de rua, enquanto milhares de pessoas circulam entre as barracas em busca de uma peça diferente, uma lembrança da cidade ou simplesmente de um passeio.


A Feira de Arte e Artesanato Garibaldi, conhecida como Feira do Largo da Ordem, funciona oficialmente das 9h às 14h e ocupa áreas do Largo da Ordem, Praça Garibaldi e ruas próximas, em uma das regiões mais antigas de Curitiba. A Prefeitura estima que o evento receba cerca de 20 mil visitantes em um domingo, número que ajuda a dimensionar sua importância para o turismo, para a economia criativa e para a ocupação cultural do Centro Histórico.


Mais do que um lugar para comprar produtos artesanais, a feira se transformou em uma experiência urbana. O visitante pode encontrar uma pintura, negociar uma peça de madeira, procurar um LP raro, provar um pastel, ouvir música e, poucos metros adiante, assistir a uma apresentação de rua. É essa mistura que mantém o Largo entre os programas mais característicos de Curitiba.


Uma tradição que nasceu no Centro Histórico


A feira foi criada oficialmente em 1971 e incorporou ao longo dos anos diferentes formas de produção artística e artesanal. A própria Prefeitura registra que o espaço passou a reunir artesãos, artistas, antiquários, colecionadores, famílias e diferentes manifestações culturais, tornando-se um ponto de encontro do Centro Histórico.


A localização ajuda a explicar a força do evento. A feira acontece em meio a um conjunto arquitetônico que inclui construções históricas como a Casa Romário Martins, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco e a Igreja do Rosário. Aos domingos, esse patrimônio serve de cenário para barracas, circulação de visitantes e apresentações musicais.


O resultado é uma experiência em que o patrimônio arquitetônico não fica separado da atividade econômica. O visitante compra, passeia, fotografa, come e convive com a cidade no mesmo espaço.


O que ainda se encontra nas bancas


A variedade é uma das marcas mais fortes da Feira do Largo. O cadastro oficial atualmente reúne 398 expositores, distribuídos em diferentes categorias de produtos. Entre eles estão artes plásticas, madeira, tecido, objetos decorativos, brinquedos, artigos para colecionadores, produtos alimentícios, utilitários e vestuário.


Há peças para diferentes bolsos e ocasiões. Quem procura um presente pode encontrar objetos de decoração, acessórios, papelaria artesanal, camisetas, peças infantis e trabalhos personalizados. Quem está interessado em arte pode escolher entre pinturas em tela, aquarelas, desenhos e trabalhos decorativos.


Também existe uma parcela da feira dedicada a produtos que carregam referências locais. Camisetas turísticas, lembranças de Curitiba, objetos de madeira, peças decorativas e trabalhos que incorporam símbolos ou materiais associados à cidade ajudam a transformar a compra em recordação.


O cadastro oficial mostra ainda uma característica que costuma passar despercebida para quem visita a feira ocasionalmente: muitos expositores mantêm seus negócios há vários anos e continuam produzindo em seus próprios ateliês. Há produtores com mais de 20 anos de atividade e famílias que trabalham com determinadas técnicas artesanais há décadas.


As bancas tradicionais e os produtos que atravessam gerações


Não existe uma lista oficial atualizada dos “produtos mais vendidos” da Feira do Largo. O que existe é uma pesquisa municipal de perfil e comportamento realizada em 2012, que permite identificar tendências de consumo daquele período. Entre os dez produtos mais procurados estavam alimentos, artesanato, decoração, pastel, quadros, lembranças e presentes, brinquedos, roupas, caixas de madeira e camisetas.


O dado deve ser lido com cautela: hábitos de consumo mudaram desde então. Ainda assim, a pesquisa ajuda a compreender por que determinadas categorias permanecem tão presentes na feira.


A alimentação é um exemplo. O pastel continua fazendo parte da identidade gastronômica do local, acompanhado por caldo de cana e outras opções. O cadastro atual também registra vendedores de biscoitos artesanais, chocolates, salteñas, geleias, conservas, crepes e outros produtos.


No segmento artístico, a permanência de alguns expositores é particularmente reveladora. A Galeria Itinerante, formada pelas artistas plásticas Bina Rikari e Sol Pereira, informa estar na feira desde 1990, trabalhando com pinturas em tela, kits de pintura e presentes criativos.

Outro universo que mantém público próprio é o dos discos e objetos de coleção. O cadastro oficial registra vendedores especializados em LPs de pop, rock e MPB, com centenas de discos selecionados aos domingos. Também há expositores de moedas, cédulas, selos, postais, canetas, objetos militares e antiguidades.


Para quem gosta de garimpar, essa talvez seja uma das experiências mais interessantes do Largo: não existe garantia de encontrar determinado objeto. A graça está justamente na descoberta.


Artistas de rua dão outro ritmo ao passeio


As barracas representam apenas uma parte da experiência. A música e outras manifestações artísticas ocupam o espaço público e contribuem para transformar a manhã de domingo em um programa cultural.


A própria descrição turística oficial do Setor Histórico cita a feira como um ponto de encontro animado por música ao vivo. Registros municipais também incluem teatro de rua e apresentações ao ar livre entre as atrações tradicionais.


Para o público, a presença desses artistas muda o comportamento. As pessoas param, formam pequenas rodas, fotografam e permanecem mais tempo na região. Para quem vende artesanato, isso significa um fluxo de visitantes que não chega necessariamente com intenção de compra, mas que pode acabar entrando no circuito das barracas.


A feira funciona, assim, como uma espécie de palco aberto. O artista de rua depende da atenção do público; o artesão depende da capacidade de apresentar seu produto; o visitante transita entre os dois mundos.


O desafio de vender artesanato em tempos digitais


A Feira do Largo também acompanha uma transformação no comportamento do consumidor. Comprar artesanato deixou de depender exclusivamente da presença física aos domingos.


A Prefeitura criou uma vitrine virtual da feira, organizada por categorias como alimentação, artes plásticas, madeira, plástico, tecido, brinquedos, colecionáveis, decoração, sabonetes, velas, utilitários e vestuário. A iniciativa permitiu que artesãos apresentassem seus produtos também fora do horário da feira.


Em 2026, a Prefeitura de Curitiba e o Sebrae ampliaram esse esforço com programas de qualificação comercial. A Jornada de Mercado Feira do Largo da Ordem oferece consultorias individualizadas para orientar artesãos sobre organização das barracas, exposição dos produtos, identidade visual, layout e estratégias de venda.


A iniciativa revela uma mudança significativa. A tradição artesanal continua sendo o principal patrimônio dos expositores, mas já não basta produzir uma boa peça. É preciso saber apresentá-la, comunicar seu valor e disputar a atenção de um público acostumado a vitrines digitais, redes sociais e compras pela internet.


Uma feira que também movimenta a cidade


O impacto econômico do Largo não termina na venda realizada dentro de uma barraca. O movimento dominical beneficia restaurantes, cafés, bares, comércio e outros serviços instalados no entorno do Centro Histórico.


A feira também funciona como porta de entrada para quem conhece Curitiba. Turistas podem chegar atraídos pelo artesanato e acabar visitando igrejas, museus, praças e outros equipamentos do Setor Histórico. A própria pesquisa municipal realizada em 2008 mostrou que 25,16% dos frequentadores entrevistados eram turistas, enquanto 74,84% eram moradores de Curitiba e Região Metropolitana. O estudo apontou ainda passeio e lazer como principal motivação para a visita, seguido pela intenção de fazer compras.


Essa combinação explica uma particularidade do Largo: ele não depende exclusivamente do turista. O morador também faz parte da engrenagem. Há quem frequente todos os domingos, quem apareça algumas vezes por ano e quem visite a feira quando recebe amigos ou parentes de outras cidades.


O Largo continua sendo uma experiência, não apenas uma feira


Em uma cidade onde quase tudo pode ser comprado pelo celular, a existência de um mercado como o Largo da Ordem parece até contraditória. Mas talvez seja justamente aí que esteja sua força.


O visitante não encontra apenas um produto pronto. Ele encontra a pessoa que produziu, o objeto inesperado, o disco que lembra outra época, a pintura que chama atenção no meio da multidão, o cheiro da comida e o som de um músico tocando na rua. A compra é apenas uma parte da experiência.


A Feira do Largo permanece porque conseguiu transformar comércio em convivência. Sua próxima etapa, agora, é encontrar o equilíbrio entre a tradição que lhe deu identidade e as novas formas de vender, divulgar e consumir artesanato.


A cada domingo, centenas de barracas voltam a ocupar as ruas e milhares de pessoas caminham pelo mesmo cenário histórico. O que muda são os produtos, os artistas, os visitantes e os hábitos de consumo. O desafio permanente é fazer com que, no meio dessa transformação, o Largo continue reconhecível como aquilo que Curitiba aprendeu a chamar simplesmente de Feirinha do Largo.




Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

Comentários


bottom of page