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Falta de Sol em Curitiba já preocupa moradores que começam a esquecer a cor do céu

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
    Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
  • há 6 minutos
  • 3 min de leitura

Entre neblina, nuvens e bom humor, curitibanos vivem dias em que o amanhecer parece não terminar nunca


Falta de Sol em Curitiba já preocupa moradores que começam a esquecer a cor do céu

Se você saiu de casa às 7h da manhã, olhou para o céu às 9h30 e teve a impressão de que ainda eram 6h45, saiba que não está sozinho. Curitiba atravessa mais um daqueles períodos clássicos em que o Sol parece ter pedido licença, tirado férias e esquecido de avisar quando volta.


Nas últimas semanas, a combinação de frio, umidade elevada, nevoeiro e céu encoberto transformou a capital paranaense em uma espécie de cenário permanente de filme europeu. Em alguns bairros, moradores brincam que o despertador deveria tocar novamente às 10h da manhã, horário em que a claridade finalmente decide aparecer.


A situação não é exatamente anormal. Junho está entre os meses mais frios do ano em Curitiba e o céu permanece encoberto ou quase encoberto durante boa parte do período. Dados climáticos indicam que a nebulosidade pode ocupar quase metade dos dias do mês.


Afinal, quando o Sol volta?


A boa notícia é que ele não se mudou para Santa Catarina.


As previsões apontam que os próximos dias devem alternar períodos de nuvens, chuva e algumas aberturas de Sol. Ou seja: o astro-rei continua oficialmente empregado, mas trabalhando em regime parcial.


Em Curitiba, aliás, existe uma relação quase afetiva com essa imprevisibilidade. É comum o cidadão sair de casa com guarda-chuva, óculos escuros, cachecol e uma garrafa de água, preparado para enfrentar as quatro estações antes do almoço.


A cidade europeia que mais lembra Curitiba


Quando o assunto é céu cinzento, a comparação mais frequente é com Londres.

A capital britânica construiu parte de sua identidade justamente sobre dias nublados, neblina e pouca incidência solar durante o inverno. A diferença é que os londrinos aprenderam a conviver com isso há séculos.


Lá, quando o Sol aparece, parques ficam lotados em poucos minutos. Pessoas almoçam ao ar livre, caminham sem destino e até tomam café em mesas externas, mesmo quando a temperatura continua baixa.


O curitibano faz algo semelhante. Basta surgir um único raio de Sol na Praça da Espanha, no Jardim Botânico ou no Parque Barigui para ocorrer um fenômeno social curioso: centenas de pessoas aparecem como se tivessem sido convocadas por um aplicativo secreto.


Como sobreviver a uma cidade onde o dia demora para clarear


Especialistas apontam que a falta prolongada de luz solar pode influenciar o humor, a disposição e até a sensação de energia das pessoas.


Os moradores de cidades com clima semelhante costumam adotar algumas estratégias:

  • Aproveitar qualquer período de Sol para caminhar ao ar livre;

  • Manter atividades físicas regulares;

  • Investir em ambientes bem iluminados;

  • Consumir bebidas quentes, algo que os curitibanos dominam com excelência;

  • Transformar o clima cinzento em parte da identidade local.


E nisso Curitiba é imbatível.


O lado positivo do céu cinza


Embora muita gente reclame da ausência do Sol, a verdade é que o clima faz parte do charme da cidade.


O nevoeiro sobre os parques, os cafés lotados, as padarias cheias de gente tomando chocolate quente e a paisagem urbana envolta por tons acinzentados ajudam a criar uma atmosfera única no Brasil.


Enquanto cidades do Norte e Nordeste enfrentam temperaturas acima dos 30 graus, Curitiba continua fiel à sua tradição: fazer o cidadão procurar o casaco que jurou ter guardado até o próximo inverno.


E talvez seja justamente essa personalidade climática que mantém viva uma das maiores certezas locais: em Curitiba ninguém pergunta se vai chover. Pergunta apenas em qual horário.


Fontes
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