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Eleição 2026: o que os candidatos prometem para melhorar a vida dos brasileiros

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
    Marcos Paulo Assis
  • há 3 horas
  • 8 min de leitura

Aposentadoria, impostos, emprego, crédito e custo de vida estão no centro da escolha entre projetos diferentes para a economia brasileira.


Urna eletrônica ao lado de elementos que representam aposentados, trabalhadores, pequenos empresários e famílias brasileiras na eleição de 2026.
 Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.

Pesquisa e atualização: 22 de agosto de 2026

A eleição presidencial de 2026 começa a entrar no terreno em que a política deixa de ser apenas disputa entre nomes e passa a ser uma escolha sobre a vida cotidiana. Para o aposentado que precisa fazer o dinheiro durar até o fim do mês, para o pequeno empresário que calcula diariamente o custo de manter as portas abertas e para o trabalhador que não recebe nenhum benefício social, a pergunta é muito mais simples do que as discussões de Brasília: o que vai mudar no meu bolso nos próximos quatro anos?


A corrida ainda está aberta. Na pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado tem 5%, Renan Santos, 4%, Romeu Zema, 3%, e Augusto Cury, 2%. No segundo turno entre Lula e Flávio, o placar é de 47% a 43%, diferença que está dentro de uma disputa apertada considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.


As pesquisas, naturalmente, retratam um momento e não antecipam o resultado de outubro. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se houver necessidade, o segundo ocorrerá em 25 de outubro.


O eleitor, entretanto, terá de escolher mais do que uma personalidade. Os programas apresentados até agora colocam na mesa visões bastante diferentes sobre o tamanho do Estado, a política fiscal, os impostos, os investimentos públicos, a Previdência, o mercado de trabalho e os programas de transferência de renda.


O aposentado não quer apenas um reajuste maior


Para quem vive de aposentadoria ou pensão do INSS, a discussão sobre o próximo governo começa pelo poder de compra. Em 2026, o salário mínimo nacional passou para R$ 1.621, enquanto o teto do Regime Geral de Previdência Social chegou a R$ 8.475,55. Esses valores também influenciam contribuições e benefícios vinculados ao sistema previdenciário.


Imagine uma aposentada que recebe um salário mínimo e utiliza boa parte da renda com medicamentos, alimentação, aluguel e contas domésticas. Um reajuste acima da inflação pode representar uma melhora real, mas o ganho desaparece rapidamente se os preços de produtos e serviços avançarem em ritmo semelhante. Por isso, para esse grupo, controlar a inflação talvez seja tão relevante quanto discutir o percentual de aumento do benefício.


O programa de Lula mantém uma visão de Estado mais ativo na economia, com investimentos públicos e continuidade do arcabouço fiscal. Já Flávio Bolsonaro apresenta uma proposta de forte redução de despesas, com diminuição do número de ministérios, revisão de gastos, novo mecanismo de controle fiscal, redução da carga tributária e retomada de privatizações e concessões.


Essa diferença produz uma pergunta que o eleitor aposentado deveria fazer a qualquer candidato: de onde virá o dinheiro para aumentar benefícios e serviços públicos, caso essa seja a promessa, ou como serão preservados os aposentados caso o governo faça um grande ajuste nas despesas?


A Previdência é uma das áreas em que promessas aparentemente simples podem produzir efeitos complexos. Aumentar benefícios custa dinheiro; reduzir despesas pode exigir mudanças em regras; e adiar decisões pode transferir uma conta ainda maior para as próximas gerações.


O pequeno empresário quer saber quanto vai sobrar no caixa


Para o dono de um restaurante, uma loja, uma oficina, um salão de beleza ou uma pequena empresa de serviços, a economia não é uma abstração. Ela aparece no aluguel, na folha de pagamento, no preço dos fornecedores, no cartão de crédito, no financiamento e na conta de energia.


O Brasil teve carga tributária bruta equivalente a 32,20% do PIB em 2024, segundo a Receita Federal, ante 30,22% em 2023. A própria Receita explica que esse cálculo considera a arrecadação tributária em relação ao Produto Interno Bruto e que a metodologia utilizada exclui FGTS e Sistema S.


Isso ajuda a explicar por que a discussão sobre impostos tem tanta força entre empreendedores. O problema, entretanto, não é apenas quanto se paga. Há também o custo de cumprir obrigações, entender regras, contratar profissionais para lidar com burocracia e conviver com alterações frequentes na legislação.


Flávio Bolsonaro coloca a redução da carga tributária e o enxugamento da máquina pública no centro de sua proposta econômica. Seu plano prevê um chamado "tesouraço", com corte de ministérios, redução de cargos e despesas, revisão de subsídios, privatizações e um novo modelo de controle dos gastos públicos.


A proposta de Lula segue uma direção diferente, apostando na capacidade de investimento do Estado, no estímulo à indústria, na infraestrutura e na continuidade de políticas de desenvolvimento. A disputa, portanto, não é simplesmente entre "mais ou menos imposto", mas entre duas maneiras de enxergar o papel do governo na economia.


Para o pequeno empresário, a promessa mais valiosa pode acabar sendo menos espetacular: ter regras estáveis durante quatro anos. Uma empresa consegue planejar contratação, investimento e expansão quando sabe quanto pagará, quais regras deverá cumprir e qual será o custo do dinheiro.


Quem trabalha e não recebe benefício também precisa entrar na conta


Existe uma parcela numerosa do eleitorado que costuma aparecer pouco no debate político. É formada por pessoas que trabalham, pagam impostos e não recebem Bolsa Família, aposentadoria ou outra transferência direta de renda.


É o empregado que paga aluguel e escola dos filhos. O autônomo que precisa trabalhar mesmo quando está doente para manter a renda. A família que ultrapassa por pouco o limite de um programa social e, ainda assim, enfrenta dificuldades para pagar supermercado, plano de saúde, transporte e moradia.


A existência desse grupo não significa que programas de transferência de renda sejam desnecessários. O Bolsa Família tem papel relevante na proteção de famílias em situação de vulnerabilidade. Em agosto de 2026, o valor médio pago pelo programa é de R$ 678,35, e os beneficiários precisam cumprir critérios relacionados ao Cadastro Único e condicionalidades de saúde e educação.


O desafio para o próximo presidente será conseguir combinar proteção social com aumento da capacidade de geração de renda.


O Brasil chegou ao fim de 2025 com taxa de desocupação de 5,1%, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.613, com alta de 5% na comparação anual.


Esse dado muda o centro do debate. Se o país já apresenta um mercado de trabalho relativamente aquecido, a discussão passa a ser como transformar emprego em renda maior e mais produtividade.


Para o trabalhador, isso significa perguntar se o próximo governo terá condições de estimular investimentos capazes de criar empregos melhores, ampliar a qualificação profissional e reduzir o custo de contratação sem precarizar as relações de trabalho.

Para quem está fora dos programas sociais, talvez essa seja a questão mais importante da eleição: não receber um benefício não deveria significar ficar sem uma política econômica capaz de ampliar oportunidades.


Juros altos atingem aposentados, empresas e famílias


Existe uma variável que costuma aparecer pouco nos palanques, mas que chega todos os meses à vida do brasileiro: a taxa de juros.


Quando os juros permanecem elevados, o financiamento de uma casa fica mais caro, o empréstimo para comprar uma máquina pesa no caixa da empresa e o consumidor pensa duas vezes antes de parcelar uma compra. Para aposentados, taxas elevadas também podem aumentar o custo de operações de crédito.


O Banco Central registrou, em seu Relatório de Política Monetária de junho, que as expectativas do mercado apontavam para uma Selic de 13,75% ao final de 2026. O mesmo relatório indicava expectativa de inflação ainda acima do centro da meta.


Isso coloca uma questão delicada diante de qualquer presidente eleito: como reduzir juros de forma sustentável sem provocar uma nova pressão inflacionária ou aumentar a desconfiança em relação às contas públicas?


Não existe uma resposta eleitoral simples. Um governo pode determinar gastos ou reduzir impostos, mas a reação da economia dependerá também de inflação, expectativas, dívida pública, atuação do Banco Central, investimentos privados e cenário internacional.


É por isso que promessas de "juros baixos" precisam vir acompanhadas de explicações sobre como isso será alcançado. Caso contrário, o slogan pode ser fácil de apresentar e difícil de executar.


O que os principais candidatos colocam sobre a mesa


Lula representa a continuidade de uma política econômica em que o Estado tem papel relevante na indução do crescimento, na infraestrutura, nas políticas sociais e na distribuição de renda. Seu desafio eleitoral será convencer o eleitor de que é possível manter essa estratégia sem deteriorar as contas públicas e sem alimentar pressões inflacionárias.


Flávio Bolsonaro apresenta o contraponto mais forte entre os candidatos competitivos nas pesquisas. Seu programa combina redução do tamanho do Estado, corte de despesas, menor carga tributária, privatizações, revisão de gastos e mudanças nas relações de trabalho. A dificuldade será demonstrar como essas medidas serão implementadas sem reduzir serviços públicos essenciais ou provocar impactos sociais durante a transição.


Romeu Zema defende uma agenda liberal, com reformas, privatizações e redução do tamanho do Estado. Ronaldo Caiado concentra parte importante de sua plataforma em segurança pública e também apresenta críticas à tributação e medidas de proteção ao comércio nacional. Em visita ao Brás, em São Paulo, Caiado criticou a tributação das compras internacionais e defendeu medidas para favorecer o varejo brasileiro.


Renan Santos aparece com uma agenda associada à redução do Estado e reformas institucionais, enquanto Augusto Cury apresenta uma candidatura de perfil diferente, com maior ênfase em educação e questões relacionadas ao desenvolvimento humano. Os dois, entretanto, ainda possuem desempenho eleitoral muito inferior aos dois líderes nas pesquisas atuais.


As diferenças ficam mais claras quando se olha para o eleitor comum. Quem depende do INSS tende a observar a Previdência e a inflação. Quem administra uma pequena empresa presta atenção em impostos, crédito e custo trabalhista. Quem está empregado quer salário maior e estabilidade. E quem recebe Bolsa Família precisa saber se continuará protegido e se terá condições de, eventualmente, deixar o programa.


O próximo governo precisará lidar simultaneamente com todos esses grupos.


A pergunta que deveria orientar o voto


A campanha presidencial costuma transformar problemas complexos em frases fáceis. "Vamos baixar os impostos." "Vamos aumentar o salário." "Vamos cortar gastos." "Vamos investir." Todas essas promessas podem ter apelo, mas nenhuma explica sozinha como o país funcionará depois da eleição.


O eleitor deveria cobrar quatro respostas objetivas de cada candidato: quanto custará cada promessa, de onde virá o dinheiro, qual será o impacto sobre inflação e dívida e quem será beneficiado ou prejudicado pela mudança.


Para o aposentado, isso significa olhar além do reajuste anunciado. Para o pequeno empresário, significa perguntar não apenas sobre impostos, mas também sobre crédito, burocracia e segurança jurídica. Para quem não recebe benefícios sociais, significa avaliar se o projeto econômico cria condições para que o trabalho produza renda suficiente para substituir a dependência de políticas públicas.


O Brasil chegará às urnas com uma economia que apresenta avanços importantes no mercado de trabalho, mas ainda convive com juros elevados, pressão fiscal e desafios de produtividade.


A eleição, portanto, não deveria ser apenas uma escolha entre esquerda e direita, Lula e Bolsonaro ou governo e oposição. Será também uma decisão sobre qual modelo de país poderá transformar crescimento econômico em melhoria concreta da vida das pessoas.


No supermercado, no caixa da pequena empresa, no extrato do INSS e no salário recebido no fim do mês, o eleitor encontrará a medida real de qualquer governo. A campanha ainda terá tempo para prometer. O que caberá ao cidadão será exigir que cada promessa venha acompanhada de números, prazos e consequências claramente explicadas.


É nessa diferença entre discurso e execução que poderá estar a verdadeira escolha de 2026.


Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

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