Drive-in box ganha espaço em Curitiba com privacidade e preço acessível
Boxes cobertos, atendimento por interfone e serviços discretos transformam o estacionamento privativo em uma alternativa aos motéis tradicionais.

Curitiba está assistindo à transformação de um serviço que durante muito tempo permaneceu associado apenas a lanchonetes de atendimento no carro. O chamado drive-in box, formado por vagas individuais, cobertas e fechadas, passou a disputar espaço no mercado de experiências privadas para casais, apostando em uma combinação simples: entrar de carro, fechar o box, permanecer no próprio veículo e resolver praticamente tudo sem contato presencial.
Um dos exemplos mais estruturados é a rede Drive-In Box Curitiba, que atualmente informa ter quatro unidades na capital, nos bairros Boa Vista, Capão Raso, Rebouças e Cajuru, além de declarar mais de 25 anos de atuação. A empresa apresenta o serviço como uma alternativa baseada em privacidade, conforto, segurança e praticidade.
A lógica comercial é diferente da experiência de um motel convencional. Em vez de uma suíte completa, o cliente compra essencialmente privacidade e um espaço protegido para permanecer dentro do próprio automóvel. O carro deixa de ser apenas o meio de transporte e passa a ser parte do ambiente contratado.
O carro vira o centro da experiência
A operação é pensada para reduzir ao mínimo a circulação de clientes. Segundo a própria rede, o usuário chega ao estabelecimento, dirige-se a um box individual, estaciona e fecha o acesso. O atendimento ocorre por interfone, inclusive para pedidos de alimentos e bebidas. A empresa informa que os boxes são cobertos, possuem quatro paredes, televisão e estrutura para atendimento indireto.
Há uma diferença relevante entre o que é possível confirmar e aquilo que circula em descrições informais sobre o serviço. O site oficial confirma a entrada direta no box, o fechamento do espaço e o uso de interfone, mas não detalha tecnicamente se todos os portões funcionam de maneira automatizada ou se existem sistemas de cortinas motorizadas em todas as unidades. Por isso, a automação de cada box não pode ser generalizada para toda a rede.
Na prática, a experiência procura eliminar justamente os momentos de exposição que podem incomodar parte do público. Não há necessidade de atravessar corredores, aguardar em uma recepção ou dividir áreas comuns com outros clientes. O próprio estabelecimento descreve o modelo como uma experiência de privacidade do início ao fim.
Para um casal que está saindo da faculdade, do trabalho ou simplesmente quer algumas horas de privacidade sem transformar a noite em um programa mais elaborado, a proposta é direta: estacionar, fechar o espaço e ficar.
Rebouças, Boa Vista, Capão Raso e Cajuru
A localização das unidades ajuda a explicar a estratégia de expansão. A rede está presente em quatro regiões diferentes da cidade: Rua 24 de Maio, no Rebouças; Rua Lodovico Geronazzo, no Boa Vista; Rua Deputado Waldemiro Pedroso, no Capão Raso; e Avenida Prefeito Maurício Fruet, no Cajuru.
O Rebouças, por exemplo, concentra importantes instituições de ensino. A UTFPR mantém sua sede Centro na Avenida Sete de Setembro, enquanto a UFPR também possui campus no bairro. Isso não permite afirmar, sem dados de público fornecidos pela empresa, que estudantes sejam maioria entre os clientes. Mas cria uma área com circulação significativa de jovens e adultos em idade universitária, além de moradores e trabalhadores.
A lógica se repete em outras regiões. A distribuição das unidades reduz a necessidade de atravessar a cidade e transforma a proximidade em um dos componentes do negócio. Em vez de depender exclusivamente de um endereço conhecido por concentrar motéis, o drive-in box pode funcionar como uma solução de bairro.
Há ainda um histórico que mostra como a marca procurou se inserir no ecossistema de entretenimento local. Registros da Federação Paranaense de Motociclismo mostram o Drive-In Box associado como patrocinador de pilotos em provas de velocross realizadas no Paraná entre 2016 e 2018. É um exemplo documentado de publicidade local, embora não seja possível concluir, a partir desses registros, que a empresa tenha adotado atualmente uma estratégia específica de patrocínio universitário.
Tempo e preço mudam a lógica do negócio
A diferença econômica aparece quando o consumidor compara a proposta com uma hospedagem tradicional.
Motéis trabalham normalmente com períodos definidos. Em Curitiba, os preços publicados atualmente variam bastante conforme localização, categoria da suíte e duração. O Le Ton, por exemplo, informa períodos de quatro ou seis horas em diferentes suítes, com preços que vão de R$ 115 a mais de R$ 200 em algumas categorias. O Motel Celebrity trabalha com períodos de quatro ou seis horas, dependendo do dia, e suítes a partir de R$ 259.
Isso não significa que todos os motéis sejam necessariamente mais caros. Há estabelecimentos com tarifas promocionais inferiores, como o Luna Blu, que atualmente anuncia período promocional de duas horas por R$ 99 em determinada suíte. A comparação, portanto, precisa considerar o período contratado, o nível de conforto e os serviços incluídos.
O diferencial do drive-in box está menos na disputa por luxo e mais na relação entre tempo, privacidade e preço. Registros publicados anteriormente sobre o segmento descrevem modelos de cobrança por valor único, permitindo permanência mais flexível. Como a tarifa atual não está publicada no site oficial da rede pesquisada, não seria correto apresentar valores antigos como se fossem preços de 2026.
A lógica, contudo, permanece clara: quanto menos o consumidor sentir que está “correndo contra o relógio”, maior tende a ser a percepção de liberdade do serviço. Para quem não procura uma suíte com hidromassagem, piscina ou decoração temática, pagar pelo espaço reservado e pelo tempo de permanência pode fazer mais sentido do que contratar uma estrutura maior.
Petiscos, bebidas e venda discreta
O modelo também descobriu outra fonte de receita: o consumo dentro do próprio box.
A rede mantém cardápio com petiscos como batata frita, polenta, mandioca, calabresa, quibe e pastel. Os preços publicados atualmente variam de R$ 12 a R$ 20 nesses itens. O pedido é feito pelo interfone, preservando a proposta de não exigir que o cliente deixe o veículo.
Esse detalhe muda o negócio. A empresa não vende somente estacionamento privativo. O box cria uma pequena unidade de consumo: entrada, permanência, alimentos, bebidas e outros itens podem gerar receita durante a mesma visita.
A estratégia também acompanha uma transformação observada no mercado de motéis. Serviços de alimentação, bebidas, Wi-Fi, televisão e atendimento discreto passaram a fazer parte da experiência oferecida por estabelecimentos tradicionais. O Motel Fifos, em Curitiba, por exemplo, anuncia Wi-Fi, serviço de quarto, lanches e bebidas.
A diferença está na escala da experiência. No drive-in box, o negócio não tenta reproduzir uma suíte de hotel. Ele parte do princípio de que o cliente já possui o principal equipamento: o próprio automóvel.
Um negócio baseado em privacidade
Existe também uma dimensão comportamental nessa mudança. O consumidor urbano nem sempre procura luxo. Em algumas situações, procura simplesmente um lugar onde possa ficar sem ser observado, interrompido ou obrigado a interagir com outras pessoas.
Esse comportamento ajuda a entender por que o modelo pode encontrar espaço entre públicos diferentes. Casais são o principal público explicitamente trabalhado pela rede, mas a própria empresa também cita conversas privadas, pausas e outros usos como possibilidades do espaço.
Para os negócios, a fórmula tem outra vantagem: um box exige uma estrutura muito diferente de uma suíte convencional. Não há necessidade de equipar cada unidade com banheiro completo, cama, hidromassagem ou uma extensa infraestrutura hoteleira. O investimento e a operação podem se concentrar em estacionamento, cobertura, isolamento, controle de acesso, limpeza, segurança e atendimento.
O desafio está justamente em manter a promessa de privacidade sem transformar a experiência em algo desconfortável ou inseguro. A percepção de limpeza, manutenção, iluminação, controle de acesso e funcionamento dos portões pode ser decisiva para a fidelização.
O crescimento desse formato em Curitiba mostra, portanto, uma mudança interessante no consumo urbano: nem sempre o cliente quer mais espaço. Às vezes, quer menos exposição.
No fim, o drive-in box vende algo que não aparece no cardápio e não cabe facilmente em uma tabela de preços: tempo privado. A expansão das unidades pela cidade sugere que existe mercado para essa proposta, mas a dimensão desse fenômeno ainda carece de dados públicos sobre número de clientes, faturamento, faixa etária e taxa de ocupação.
É justamente aí que está a questão mais interessante para o futuro do setor. Em uma cidade cada vez mais marcada por trânsito, apartamentos compactos, vida acadêmica intensa e busca por experiências rápidas, será que o próximo diferencial dos negócios de hospitalidade não será oferecer luxo, mas simplesmente um lugar onde ninguém incomode?
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Edição: Marcos Paulo Assis
Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.



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