*Data é lembrada todos os anos em 7 de julho e reacende o debate sobre os efeitos do chocolate com maior teor de cacau no organismo.*
O Dia Mundial do Chocolate, lembrado em 7 de julho, não tem origem oficial reconhecida por organizações internacionais, como a ONU. A celebração foi adotada principalmente por marcas, confeiteiros e apreciadores do doce, para promover o produto e destacar sua importância cultural e econômica. A próxima será em 7 de julho de 2027, uma quarta-feira.
A data costuma vir acompanhada de listas de benefícios do chocolate amargo. A ciência indica efeitos promissores, mas os próprios estudos trazem limites que ajudam a separar o que foi comprovado do que é propaganda.
Por que 7 de julho
A versão mais citada para a escolha do dia é que o cacau teria começado a ser comercializado oficialmente na Europa em 7 de julho de 1550. Outra fonte consultada diz que a origem exata da data é motivo de debate entre historiadores.
Há divergências também sobre como o cacau chegou ao continente europeu. O portal Terra cita Hernán Cortés, por volta de 1528. O site Mercado do Cacau atribui a Cristóvão Colombo o transporte de grãos à Espanha em 1502.
Os indícios apontam que os primeiros consumidores foram os olmecas, no atual México e na Guatemala, por volta de 1500 a.C. Maias e astecas preparavam uma bebida amarga chamada xocoatl, considerada sagrada. No Brasil, as sementes chegaram por volta de 1746, quando o fazendeiro baiano Antônio Dias Ribeiro as recebeu de presente.
O que o cacau tem de diferente
Quando se fala em benefícios, o foco é a massa do cacau, de cor escura. Quanto maior o percentual dela no chocolate, mais escuro e, em tese, mais saudável é o produto. O chocolate branco não leva massa de cacau, apenas a manteiga do fruto e açúcar. Segundo a CNN Brasil, para ser considerado amargo o chocolate precisa ter pelo menos 50% de cacau.
A médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), explicou que o cacau tem de 40% a 50% de gordura, na forma de manteiga de cacau. Ele contém ainda polifenóis, que respondem por cerca de 10% do peso seco do grão. Segundo ela, esses compostos, chamados flavonoides, são responsáveis pelas ações anti-inflamatória e antioxidante e pela melhora da circulação.
O amargor desses compostos levou a indústria a criar versões com menos cacau, como o chocolate ao leite. De acordo com o texto de referência, o processamento pode reduzir o conteúdo de polifenóis em até 10 vezes.
O que dizem os estudos
Uma revisão publicada no fim de 2019 no International Journal of Environmental Research and Public Health enumera oito benefícios dos chocolates com mais cacau. Outras pesquisas posteriores apontam na mesma direção.
Um estudo publicado na BMJ acompanhou mais de 192 mil pessoas por 25 anos. Segundo o Terra, cinco porções semanais de 28 g de chocolate amargo foram associadas a uma redução de 21% no risco de diabetes tipo 2. Conforme o Correio Braziliense, o chocolate ao leite não teve efeito semelhante e pode estar ligado ao ganho de peso.
Uma pesquisa na revista Scientific Reports, do grupo Nature, sugere que o chocolate amargo pode reduzir o risco de hipertensão essencial. Já um estudo de 2021 da Universidade de Birmingham indica que os flavonoides melhoram habilidades cognitivas, segundo a CNN Brasil.
O maior ensaio clínico sobre o tema, o COSMOS, acompanhou 21.442 adultos nos Estados Unidos por cerca de 3,6 anos. Os participantes receberam 500 mg diários de flavanóis de cacau, e o suplemento foi fornecido pela Mars Edge. O trabalho, publicado em 2022, não encontrou redução estatisticamente significativa no desfecho principal, o total de eventos cardiovasculares. Houve queda de 27% na morte por causas cardiovasculares.
Cautela e moderação
O COSMOS testou um extrato concentrado de flavonoides, e não barras de chocolate. Por isso, o resultado não pode ser transferido diretamente para o consumo do doce.
A revista Exame avalia que os resultados, embora promissores, não são tão conclusivos quanto sugerem as campanhas publicitárias e o senso comum. O Metrópoles, por sua vez, ouviu nutricionistas que recomendam consumir o chocolate com alto teor de cacau com moderação.
O cacau também não é a única fonte desses compostos. Frutas vermelhas, chá-verde, café, nozes e linhaça também os fornecem.
Fontes: International Journal of Environmental Research and Public Health, Associação Brasileira de Nutrologia, BMJ, Scientific Reports, CNN Brasil, Terra, Correio Braziliense, Exame, Metrópoles e Mercado do Cacau.



