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Copa do Mundo 2026 divide atenção dos brasileiros e movimenta mais os bares do que o comércio em Curitiba

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis, Editor
    Marcos Paulo Assis, Editor
  • há 26 minutos
  • 4 min de leitura

Mundial começa em 11 de junho de 2026 e curitibano acompanha a Seleção com menos paixão do que no passado, enquanto empresários apostam em eventos pontuais para tentar lucrar durante os jogos


Copa do Mundo 2026 divide atenção dos brasileiros e movimenta mais os bares do que o comércio em Curitiba

A Copa do Mundo de 2026, que terá início em 11 de junho de 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, promete movimentar milhões de torcedores ao redor do planeta. No Brasil, porém, o clima parece diferente das edições anteriores.


Em Curitiba, bandeiras nas sacadas, pinturas nas calçadas e ruas decoradas ainda não começaram a aparecer com força. O interesse pela Seleção Brasileira existe, mas perdeu intensidade diante de mudanças culturais, econômicas e até políticas que transformaram a relação do brasileiro com o futebol.


Se antes a Copa praticamente parava o país por um mês, agora muitos comerciantes avaliam o evento com cautela. Em Curitiba, o setor mais animado continua sendo o de bares, restaurantes e casas de entretenimento. Já o comércio tradicional demonstra menos empolgação do que em Mundiais anteriores.


O brasileiro ainda ama Copa do Mundo?


A resposta parece ser “sim”, mas de forma diferente.


A Copa segue sendo o maior evento esportivo do planeta e ainda mobiliza milhões de pessoas diante da televisão, celulares e redes sociais. Porém, o sentimento nacionalista ligado à Seleção Brasileira diminuiu nos últimos anos.


Especialistas em comportamento apontam alguns motivos:

  • frustrações recentes da Seleção em Copas;

  • excesso de futebol o ano inteiro;

  • crescimento de torcidas por clubes europeus;

  • polarização política envolvendo símbolos nacionais;

  • mudanças no consumo digital de entretenimento.


Hoje, muitos jovens acompanham mais jogadores específicos do que a própria Seleção. Nomes como Vinícius Júnior, Rodrygo e Endrick despertam mais curiosidade individual do que o antigo sentimento coletivo das gerações que cresceram vendo Ronaldo Nazário, Romário e Pelé.


E o curitibano? Quem realmente conhece a Seleção?


Em Curitiba, o interesse costuma ser mais racional do que emocional. A cidade tem tradição forte de futebol local, mas também carrega um perfil mais discreto em grandes manifestações populares.


Muitos moradores acompanham os jogos da Seleção, mas nem sempre sabem detalhes sobre os convocados, comissão técnica ou bastidores do time. Nas conversas do dia a dia, ainda existe curiosidade sobre:

  • quem será o camisa 10;

  • quais jogadores atuam na Europa;

  • se o Brasil realmente tem chances de título;

  • quem será o treinador definitivo da Seleção.


Para parte dos curitibanos, a Copa funciona mais como evento social do que paixão esportiva intensa. Reunir amigos em bares, assistir aos jogos em telões e aproveitar promoções gastronômicas acaba sendo tão importante quanto o resultado em campo.


A Copa vai mudar o ritmo de Curitiba?


Menos do que antigamente.


Em Copas passadas, especialmente entre 1994 e 2006, o comércio reduzia horários, empresas liberavam funcionários mais cedo e o trânsito mudava completamente nos horários dos jogos.


Em 2026, empresários acreditam que o impacto será mais moderado. Isso ocorre porque:

  • o home office alterou a dinâmica das cidades;

  • muitos acompanham partidas pelo celular;

  • parte do comércio prefere manter funcionamento normal;

  • o Mundial terá jogos espalhados por três países: Estados Unidos, Canadá e México.


Mesmo assim, dias de jogos do Brasil ainda devem provocar:

  • queda temporária no movimento de ruas;

  • aumento de pedidos por delivery;

  • bares lotados;

  • maior consumo de bebidas e petiscos;

  • pico de audiência em TVs e plataformas digitais.


Comércio está cauteloso com a Copa


Lojas de roupas, shoppings e parte do varejo ainda não demonstram grande euforia. Muitos comerciantes lembram que a economia apertada mudou o comportamento do consumidor.


Produtos típicos de Copa — como camisetas, bandeiras, buzinas e acessórios — devem vender menos do que em décadas anteriores.


Além disso, existe receio sobre:

  • inflação;

  • juros altos;

  • consumo mais seletivo;

  • concorrência do comércio online internacional.


Por outro lado, segmentos específicos já começam a se preparar:

  • bares temáticos;

  • hamburguerias;

  • restaurantes esportivos;

  • distribuidoras de bebidas;

  • empresas de eventos;

  • espaços com telões.


Em Curitiba, bairros como Batel, Centro, Água Verde e Santa Felicidade devem concentrar boa parte dos eventos ligados à Copa.


Os bares continuam sendo os grandes vencedores


Se existe um setor realmente otimista, é o de alimentação e entretenimento.


Bares esportivos esperam lotação máxima durante os jogos da Seleção Brasileira. Muitos estabelecimentos planejam:

  • promoções de chope;

  • combos temáticos;

  • música ao vivo;

  • decoração especial;

  • transmissões em telões gigantes.


O clima coletivo ainda funciona como grande atrativo. Mesmo pessoas pouco interessadas em futebol acabam participando do ambiente festivo criado durante a Copa.

Para muitos empresários curitibanos, o Mundial de 2026 deve funcionar menos como explosão econômica e mais como oportunidade estratégica de atrair público e fortalecer marcas.


A Copa mudou junto com o Brasil


A Copa do Mundo continua sendo um fenômeno global, mas o comportamento do torcedor brasileiro mudou profundamente.


O país que já pintava ruas inteiras de verde e amarelo agora vive um interesse mais fragmentado, digital e menos emocional. Em Curitiba, a tendência parece seguir o mesmo caminho: menos euforia coletiva, mais encontros pontuais em bares e consumo pelas telas do celular.


A paixão pelo futebol não acabou. Ela apenas ficou diferente.


Fontes

Confederação Brasileira de Futebol; FIFA; análises de comportamento esportivo; pesquisas de consumo do varejo brasileiro; Associação Brasileira de Bares e Restaurantes; especialistas em marketing esportivo; observação do mercado comercial de Curitiba.

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