Bilionários do Paraná: de pequenos negócios a grandes fortunas
- Marcos Paulo Assis
- há 2 horas
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De Curitiba ao agronegócio, empresários paranaenses construíram fortunas em beleza, educação, gastronomia, saúde e varejo.

Quem olha para a lista de grandes fortunas brasileiras pode imaginar que o dinheiro nasceu necessariamente em São Paulo, no Rio de Janeiro ou nos grandes centros financeiros. O Paraná oferece uma história diferente. Entre seus empresários mais ricos estão nomes que começaram com uma pequena farmácia, uma rede de ensino, um restaurante ou uma empresa de implantes dentários e transformaram esses negócios em companhias de alcance nacional e internacional.
A fotografia mais segura para medir esse grupo é a Lista Forbes de Bilionários Brasileiros de 2025, que reuniu 300 pessoas com patrimônio superior a R$ 1 bilhão. Entre os paranaenses identificados pela publicação estão Miguel Krigsner, Artur Grynbaum, Carlos Wizard Martins, Luiz Renato Durski Junior, Sérgio Maeoka e Geninho Thomé. Os valores, entretanto, não são permanentes: patrimônios estimados variam de acordo com ativos, participações societárias e critérios de avaliação.
A lista internacional da Forbes de 2026 reforça essa cautela. Ela considera apenas fortunas superiores a US$ 1 bilhão e elevou para 71 o número de brasileiros nesse grupo. Por isso, um empresário pode aparecer na lista brasileira de um ano e não figurar na relação global seguinte, sem que isso signifique necessariamente que tenha deixado de ser rico.
Miguel Krigsner e a pequena farmácia que mudou a beleza brasileira
A história mais emblemática começa em Curitiba. Miguel Gellert Krigsner nasceu em La Paz, na Bolívia, chegou à capital paranaense aos 11 anos e se formou em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Paraná. Em 1977, abriu uma pequena farmácia de manipulação na Rua Saldanha Marinho. O negócio seria a semente de O Boticário.
A estratégia que mudou a escala da empresa foi transformar produtos de manipulação em uma marca de beleza com identidade própria e, posteriormente, utilizar o sistema de franquias para multiplicar os pontos de venda. Em 1986, o negócio iniciou sua internacionalização com uma loja em Portugal. A partir daí, a empresa passou a combinar indústria, varejo, franquias, tecnologia, logística e comércio eletrônico.
Na lista Forbes de 2025, Krigsner aparecia com patrimônio estimado em R$ 34,2 bilhões, na época o oitavo brasileiro mais rico. A cifra não representa dinheiro disponível em conta, mas uma estimativa do valor de seus ativos e participações empresariais.
Hoje, o Grupo Boticário informa ter mais de 4 mil lojas físicas, presença em mais de 40 países e mais de 18 mil colaboradores diretos. O grupo reúne um conjunto de marcas que vai muito além de O Boticário, incluindo Eudora, Vult, Quem Disse, Berenice?, Beleza na Web, TRUSS e Dr. Jones.
Artur Grynbaum: uma fortuna construída dentro da empresa
Artur Noemio Grynbaum, paranaense e cunhado de Krigsner, representa outro caminho para uma grande fortuna. Ele entrou no Grupo Boticário em 1986, percorreu diferentes posições na organização e chegou à presidência em 2008, substituindo o fundador. Permaneceu como CEO até 2021 e atualmente é vice-presidente do Conselho Consultivo.
Na lista nacional da Forbes de 2025, Grynbaum tinha patrimônio estimado em R$ 8,1 bilhões, com origem patrimonial no Grupo O Boticário. A trajetória mostra que a criação de riqueza empresarial não depende apenas de fundar uma companhia: participação societária, gestão, expansão e construção de valor também podem transformar um executivo em grande acionista.
Carlos Wizard levou o ensino de idiomas para o modelo de escala
Outra história paranaense começou longe da indústria tradicional. Carlos Wizard Martins, natural do Paraná, construiu sua fortuna no setor de educação. O empresário criou o Grupo Multi, que chegou a reunir dez redes de escolas de idiomas e profissionalizantes, entre elas Wizard e Yázigi.
Em 2013, Wizard vendeu as ações do Grupo Multi para a britânica Pearson por R$ 1,32 bilhão. A operação transformou em dinheiro uma parte importante do valor construído ao longo da expansão da empresa e abriu uma nova fase de investimentos. Quatro anos depois, ele voltou ao setor educacional ao adquirir 35% da Wiser, empresa ligada às marcas Wise Up e Number One.
Na lista Forbes de 2025, seu patrimônio foi estimado em R$ 3,8 bilhões. O caso de Wizard mostra uma característica recorrente entre grandes empresários: vender uma empresa não significa necessariamente abandonar o setor. O capital obtido em uma operação pode financiar novos negócios e permitir uma segunda rodada de empreendedorismo.
Luiz Durski transformou restaurante em operação nacional
Luiz Renato Durski Junior representa a força do setor de alimentação. Paranaense, começou sua trajetória empresarial antes de abrir o primeiro restaurante Madero, em 1999. Segundo o próprio Grupo Madero, Durski havia trabalhado durante cerca de 20 anos com comércio de madeira sustentável antes de entrar no ramo de restaurantes.
O diferencial do Madero foi transformar a operação de restaurantes em uma estrutura empresarial de grande escala. A companhia passou a controlar produção, logística e padronização de seus estabelecimentos, reduzindo a dependência de fornecedores externos e criando uma identidade própria para a rede.
A Forbes estimou em R$ 1,9 bilhão o patrimônio de Durski na edição de 2025. Naquele ano, a publicação informou que o Madero tinha aproximadamente 275 restaurantes e havia registrado faturamento de R$ 2,05 bilhões em 2024, com lucro de R$ 219 milhões.
A estrutura societária atual também ajuda a dimensionar sua participação: dados divulgados pelo próprio Madero mostram Durski com aproximadamente 59,97% das ações da companhia.
Sérgio Maeoka e o varejo farmacêutico
No varejo, Sérgio Maeoka construiu uma das histórias empresariais mais importantes do Paraná. Natural do Estado, ele é controlador da Nissei, rede que a Forbes classificou em 2025 como a maior cadeia de farmácias do Paraná e a sétima maior do Brasil.
Naquele levantamento, Maeoka aparecia com patrimônio estimado em R$ 1,6 bilhão. A Nissei tinha cerca de 450 lojas em 120 municípios e presença também em São Paulo, Santa Catarina, Goiás e no Distrito Federal.
O modelo de negócio é particularmente próximo do consumidor comum. A fortuna está ligada a uma atividade que faz parte da rotina de milhões de brasileiros: comprar medicamentos, produtos de higiene, cosméticos e itens de conveniência. O crescimento de uma rede desse tipo depende menos de uma única venda de alto valor e mais de escala, localização, logística, poder de compra e frequência de consumo.
Geninho Thomé levou a odontologia paranaense ao mundo
Entre os casos mais singulares está o de Geninho Thomé, nascido em Santa Helena, no oeste do Paraná, em uma família de agricultores com 12 filhos. A trajetória começou na odontologia e terminou no empreendedorismo industrial.
Em 1993, Thomé fundou a Neodent ao lado de Clemilda de Paula Thomé. O objetivo era enfrentar uma dificuldade concreta do mercado brasileiro: implantes dentários eram produtos importados e caros. A empresa desenvolveu tecnologia própria e se transformou em uma das principais fabricantes de implantes da América Latina.
A operação que consolidou a fortuna veio com a venda da empresa à suíça Straumann. Em 2015, a companhia anunciou a aquisição dos 51% restantes da Neodent por R$ 680 milhões, depois de já possuir 49%. A Forbes considera o negócio de 2015 como parte fundamental da formação do patrimônio de Thomé.
Na lista Forbes de 2025, Thomé aparecia com R$ 1,3 bilhão, tendo como origem patrimonial Neodent e GT Company. Em 2025, também vendeu o controle da Neoortho para a suíça Medartis, ampliando a transformação de sua experiência empresarial em novos negócios.
O que essas histórias revelam sobre o empreendedorismo paranaense
Apesar das diferenças, há uma espécie de fio condutor nessas trajetórias: escala. Krigsner não ficou restrito à farmácia de manipulação; criou uma marca e uma rede. Wizard transformou aulas de idiomas em franquias. Durski levou o restaurante para um modelo industrial. Maeoka ampliou o varejo farmacêutico. Thomé transformou conhecimento médico em tecnologia e indústria. Grynbaum ajudou a profissionalizar e ampliar uma empresa fundada por outra geração.
Outro elemento comum é a capacidade de perceber um mercado cotidiano antes que ele se torne gigantesco. Perfumes, cursos de inglês, hambúrgueres, medicamentos e implantes dentários não são invenções abstratas: são produtos e serviços que resolvem necessidades concretas. A diferença está em transformar uma operação local em um sistema que possa ser reproduzido em centenas ou milhares de pontos.
Há também uma lição sobre sucessão e governança. O caso do Grupo Boticário mostra uma empresa que passou da liderança direta do fundador para uma estrutura com conselho e executivos profissionais. A trajetória de Grynbaum demonstra como um sócio que entrou como executivo pode se tornar peça central na criação de valor. Já empresas como Madero e Nissei continuam fortemente associadas aos seus fundadores e controladores.
O impacto dessas fortunas ultrapassa o patrimônio dos empresários. Grandes grupos movimentam fornecedores, transportadoras, imobiliárias, shopping centers, profissionais especializados, franqueados e prestadores de serviços. Uma única rede nacional pode gerar milhares de atividades econômicas indiretas, enquanto as decisões de investimento de um grande grupo podem alterar cadeias inteiras de fornecedores.
A concentração de riqueza também abre uma discussão inevitável sobre sucessão, responsabilidade empresarial, tributação, filantropia e impacto social. Quanto maior uma empresa, maior tende a ser sua influência sobre cidades, trabalhadores, consumidores e fornecedores. A história de cada bilionário, portanto, não é apenas uma narrativa individual de sucesso; é também parte da história econômica do Estado.
O Paraná produziu grandes fortunas em setores muito diferentes e, em vários casos, a origem esteve em negócios modestos. A pequena farmácia de Curitiba, a escola de idiomas, o consultório odontológico e o primeiro restaurante são exemplos de como uma empresa pode crescer quando encontra mercado, capital, gestão e capacidade de execução.
A questão que permanece para as próximas gerações é menos sobre quantos novos bilionários o Paraná produzirá e mais sobre quantas empresas de grande porte serão capazes de nascer aqui, permanecer aqui e criar oportunidades para milhares de pessoas. A resposta pode estar nos pequenos negócios que hoje ainda parecem longe das listas de grandes fortunas.
Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br
Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.


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