Bancos digitais e fintechs: quem são os donos e as mais confiáveis
- 15 de jul.
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Com novas regras do Banco Central, consumidores precisam entender quem realmente é banco, quem é fintech e quais instituições transmitem maior confiança.

A transformação do sistema financeiro brasileiro aconteceu em poucos anos. Abrir uma conta pelo celular, fazer Pix em segundos, investir sem sair de casa e contratar crédito com poucos cliques virou rotina para milhões de brasileiros. O crescimento das fintechs acelerou a concorrência, reduziu tarifas e obrigou os bancos tradicionais a modernizarem seus serviços.
Mas a popularização dos bancos digitais também trouxe um desafio: muitos consumidores passaram a acreditar que toda empresa de tecnologia financeira é, de fato, um banco. A diferença jurídica, porém, é significativa. Tanto que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional editaram regras para impedir que instituições utilizem termos que possam induzir o cliente a erro sobre sua autorização de funcionamento.
A medida representa uma nova etapa na organização do mercado financeiro brasileiro e reforça a necessidade de o consumidor compreender quem está por trás das principais plataformas digitais.
O que é uma fintech e o que diferencia um banco
Fintech é a combinação das palavras financial e technology. Trata-se de empresas que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma mais simples, rápida e barata.
Nem toda fintech é um banco.
Muitas operam como instituições de pagamento, sociedades de crédito, corretoras ou financeiras autorizadas pelo Banco Central para atividades específicas. Elas podem oferecer conta digital, cartão, empréstimos e investimentos, mas isso não significa que possuam autorização para funcionar como banco comercial.
Essa diferença raramente interfere na experiência do cliente, mas faz diferença do ponto de vista regulatório, da supervisão e das atividades que cada instituição pode exercer.
O próprio Banco Central disponibiliza consulta pública para que qualquer cidadão verifique quais instituições são autorizadas e qual modalidade cada uma possui.
Governo endurece regras sobre o uso da palavra "banco"
Com o crescimento das fintechs, muitas empresas passaram a utilizar expressões como "bank" ou "banco" em suas marcas.
Para reduzir confusão entre consumidores, a Resolução Conjunta nº 17, publicada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, determina que instituições não podem utilizar nomes que sugiram uma atividade para a qual não possuem autorização específica.
Na prática, uma instituição de pagamento, por exemplo, não poderá apresentar-se ao público como banco caso não tenha autorização correspondente. Empresas integrantes de conglomerados financeiros podem utilizar determinadas nomenclaturas, desde que deixem claro qual instituição está prestando o serviço ao cliente. As organizações tiveram prazo para apresentar planos de adequação.
Especialistas avaliam que a medida fortalece a transparência do mercado e reduz o risco de interpretações equivocadas por parte dos usuários.
As cinco fintechs e bancos digitais considerados mais confiáveis
Confiabilidade envolve diversos fatores: supervisão do Banco Central, governança corporativa, volume de clientes, estabilidade tecnológica, transparência e reputação pública.
Entre as instituições mais consolidadas do país estão:
Nubank
Controlado pela holding Nu Holdings Ltd., listada na Bolsa de Nova York, nasceu em 2013 e tornou-se uma das maiores fintechs da América Latina. Entre os principais investidores históricos estão fundos internacionais como Sequoia Capital, Tiger Global e Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.
Inter
Originado do antigo Banco Intermedium, pertence ao grupo Inter&Co, companhia de capital aberto. Atua como banco múltiplo autorizado pelo Banco Central, oferecendo conta, investimentos, seguros e crédito.
C6 Bank
Fundado por executivos egressos do BTG Pactual, o C6 Bank tem como sócio o americano JPMorganChase, um dos maiores bancos do mundo, que tem participação de 46% na instituição brasileira. O C6 Bank recebeu do Banco Central a licença para operar como banco múltiplo em janeiro de 2019, antes mesmo de seu lançamento no mercado, que ocorreu em agosto daquele ano.
Mercado Pago
Integra o ecossistema do Mercado Livre, maior plataforma de comércio eletrônico da América Latina. A empresa ampliou sua atuação para crédito, investimentos e soluções de pagamento.
PicPay
Criado no Espírito Santo, pertence ao conglomerado J&F Investimentos, controlador de empresas como JBS, Eldorado Brasil e Banco Original. A plataforma expandiu seus serviços para crédito, seguros e investimentos.
Embora existam diversas outras fintechs relevantes, essas cinco figuram entre as maiores em número de clientes, volume financeiro e reconhecimento de mercado.
Quem está por trás dos gigantes do setor financeiro
Apesar da ascensão das fintechs, os grandes bancos tradicionais continuam dominando boa parte do mercado brasileiro.
Itaú Unibanco pertence às famílias Setubal e Villela.
Bradesco continua sob controle da Fundação Bradesco e da família Aguiar.
Santander Brasil integra o grupo espanhol Santander.
Banco do Brasil é controlado pelo Governo Federal.
Caixa Econômica Federal é empresa pública federal.
BTG Pactual tem como principal controlador o empresário André Esteves.
As fintechs, por sua vez, costumam ter estruturas societárias mais pulverizadas, com participação de investidores internacionais, fundos de investimento e ações negociadas em bolsas de valores.
Essa característica permite maior captação de recursos para expansão tecnológica, mas também exige elevados padrões de governança.
O consumidor mudou junto com a tecnologia
O comportamento dos brasileiros mudou profundamente.
Hoje é comum um mesmo consumidor manter conta em um banco tradicional para salário, utilizar uma fintech para pagamentos do dia a dia, investir por outra plataforma e contratar seguros por um aplicativo diferente.
A concorrência elevou a qualidade dos serviços.
Tarifas diminuíram, o Pix eliminou custos de transferências, a abertura de contas passou a levar poucos minutos e o atendimento tornou-se praticamente todo digital.
Ao mesmo tempo, cresceram os golpes financeiros, páginas falsas e aplicativos fraudulentos. Por isso, especialistas recomendam verificar sempre se a instituição é autorizada pelo Banco Central, consultar sua situação regulatória e desconfiar de promessas de rendimento muito acima da média do mercado.
A educação financeira passa, cada vez mais, por compreender quem administra o dinheiro do cliente e quais regras cada empresa deve seguir.
O avanço das fintechs dificilmente será revertido. A tendência é que bancos tradicionais e empresas de tecnologia convivam em um ambiente de competição crescente, oferecendo serviços cada vez mais integrados. Para o consumidor, a melhor escolha continuará sendo aquela que alia segurança, transparência, boa reputação e produtos adequados às suas necessidades.

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