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Bancos digitais e fintechs: quem são os donos e as mais confiáveis

  • 15 de jul.
  • 4 min de leitura

Com novas regras do Banco Central, consumidores precisam entender quem realmente é banco, quem é fintech e quais instituições transmitem maior confiança.


Aplicativos de bancos digitais em smartphone com elementos gráficos representando segurança financeira e regulamentação do Banco Central.
Bancos digitais ampliam participação no mercado financeiro, enquanto novas regras reforçam transparência sobre quem pode utilizar a denominação "banco".

A transformação do sistema financeiro brasileiro aconteceu em poucos anos. Abrir uma conta pelo celular, fazer Pix em segundos, investir sem sair de casa e contratar crédito com poucos cliques virou rotina para milhões de brasileiros. O crescimento das fintechs acelerou a concorrência, reduziu tarifas e obrigou os bancos tradicionais a modernizarem seus serviços.


Mas a popularização dos bancos digitais também trouxe um desafio: muitos consumidores passaram a acreditar que toda empresa de tecnologia financeira é, de fato, um banco. A diferença jurídica, porém, é significativa. Tanto que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional editaram regras para impedir que instituições utilizem termos que possam induzir o cliente a erro sobre sua autorização de funcionamento.


A medida representa uma nova etapa na organização do mercado financeiro brasileiro e reforça a necessidade de o consumidor compreender quem está por trás das principais plataformas digitais.


O que é uma fintech e o que diferencia um banco


Fintech é a combinação das palavras financial e technology. Trata-se de empresas que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma mais simples, rápida e barata.

Nem toda fintech é um banco.


Muitas operam como instituições de pagamento, sociedades de crédito, corretoras ou financeiras autorizadas pelo Banco Central para atividades específicas. Elas podem oferecer conta digital, cartão, empréstimos e investimentos, mas isso não significa que possuam autorização para funcionar como banco comercial.


Essa diferença raramente interfere na experiência do cliente, mas faz diferença do ponto de vista regulatório, da supervisão e das atividades que cada instituição pode exercer.


O próprio Banco Central disponibiliza consulta pública para que qualquer cidadão verifique quais instituições são autorizadas e qual modalidade cada uma possui.


Governo endurece regras sobre o uso da palavra "banco"


Com o crescimento das fintechs, muitas empresas passaram a utilizar expressões como "bank" ou "banco" em suas marcas.


Para reduzir confusão entre consumidores, a Resolução Conjunta nº 17, publicada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, determina que instituições não podem utilizar nomes que sugiram uma atividade para a qual não possuem autorização específica.


Na prática, uma instituição de pagamento, por exemplo, não poderá apresentar-se ao público como banco caso não tenha autorização correspondente. Empresas integrantes de conglomerados financeiros podem utilizar determinadas nomenclaturas, desde que deixem claro qual instituição está prestando o serviço ao cliente. As organizações tiveram prazo para apresentar planos de adequação.


Especialistas avaliam que a medida fortalece a transparência do mercado e reduz o risco de interpretações equivocadas por parte dos usuários.


As cinco fintechs e bancos digitais considerados mais confiáveis


Confiabilidade envolve diversos fatores: supervisão do Banco Central, governança corporativa, volume de clientes, estabilidade tecnológica, transparência e reputação pública.


Entre as instituições mais consolidadas do país estão:


Nubank

Controlado pela holding Nu Holdings Ltd., listada na Bolsa de Nova York, nasceu em 2013 e tornou-se uma das maiores fintechs da América Latina. Entre os principais investidores históricos estão fundos internacionais como Sequoia Capital, Tiger Global e Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.


Inter

Originado do antigo Banco Intermedium, pertence ao grupo Inter&Co, companhia de capital aberto. Atua como banco múltiplo autorizado pelo Banco Central, oferecendo conta, investimentos, seguros e crédito.


C6 Bank

Fundado por executivos egressos do BTG Pactual, o C6 Bank tem como sócio o americano JPMorganChase, um dos maiores bancos do mundo, que tem participação de 46% na instituição brasileira. O C6 Bank recebeu do Banco Central a licença para operar como banco múltiplo em janeiro de 2019, antes mesmo de seu lançamento no mercado, que ocorreu em agosto daquele ano. 


Mercado Pago

Integra o ecossistema do Mercado Livre, maior plataforma de comércio eletrônico da América Latina. A empresa ampliou sua atuação para crédito, investimentos e soluções de pagamento.


PicPay

Criado no Espírito Santo, pertence ao conglomerado J&F Investimentos, controlador de empresas como JBS, Eldorado Brasil e Banco Original. A plataforma expandiu seus serviços para crédito, seguros e investimentos.


Embora existam diversas outras fintechs relevantes, essas cinco figuram entre as maiores em número de clientes, volume financeiro e reconhecimento de mercado.


Quem está por trás dos gigantes do setor financeiro


Apesar da ascensão das fintechs, os grandes bancos tradicionais continuam dominando boa parte do mercado brasileiro.


  • Itaú Unibanco pertence às famílias Setubal e Villela.

  • Bradesco continua sob controle da Fundação Bradesco e da família Aguiar.

  • Santander Brasil integra o grupo espanhol Santander.

  • Banco do Brasil é controlado pelo Governo Federal.

  • Caixa Econômica Federal é empresa pública federal.

  • BTG Pactual tem como principal controlador o empresário André Esteves.


As fintechs, por sua vez, costumam ter estruturas societárias mais pulverizadas, com participação de investidores internacionais, fundos de investimento e ações negociadas em bolsas de valores.


Essa característica permite maior captação de recursos para expansão tecnológica, mas também exige elevados padrões de governança.


O consumidor mudou junto com a tecnologia


O comportamento dos brasileiros mudou profundamente.


Hoje é comum um mesmo consumidor manter conta em um banco tradicional para salário, utilizar uma fintech para pagamentos do dia a dia, investir por outra plataforma e contratar seguros por um aplicativo diferente.


A concorrência elevou a qualidade dos serviços.


Tarifas diminuíram, o Pix eliminou custos de transferências, a abertura de contas passou a levar poucos minutos e o atendimento tornou-se praticamente todo digital.


Ao mesmo tempo, cresceram os golpes financeiros, páginas falsas e aplicativos fraudulentos. Por isso, especialistas recomendam verificar sempre se a instituição é autorizada pelo Banco Central, consultar sua situação regulatória e desconfiar de promessas de rendimento muito acima da média do mercado.


A educação financeira passa, cada vez mais, por compreender quem administra o dinheiro do cliente e quais regras cada empresa deve seguir.


O avanço das fintechs dificilmente será revertido. A tendência é que bancos tradicionais e empresas de tecnologia convivam em um ambiente de competição crescente, oferecendo serviços cada vez mais integrados. Para o consumidor, a melhor escolha continuará sendo aquela que alia segurança, transparência, boa reputação e produtos adequados às suas necessidades.


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