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Uma semana que começou com chuva e terminou com uma despedida histórica

Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
Marcos Paulo Assis
há 1 dia
7 min de leitura

Chuva forte, orçamento recorde, concurso público, transporte, obras, empregos e a morte de Dom Pedro marcaram Curitiba na semana.


Notícias de Curitiba: chuva, orçamento, concurso, transporte e obras movimentaram a semana

Curitiba começou a semana enfrentando os efeitos de uma forte chuva e terminou com a morte de uma das figuras mais conhecidas da história recente da cidade. Entre esses dois acontecimentos, a capital teve uma agenda marcada por decisões de grande impacto para os próximos anos, como a preparação do orçamento municipal de 2027 e a nova concessão do transporte coletivo.


O período de 21 a 26 de setembro de 2026 também trouxe concurso público com 348 vagas na Prefeitura, expansão dos patinetes elétricos para novos bairros, avanço de grandes obras viárias, milhares de oportunidades de emprego e discussões sobre serviços públicos na Câmara Municipal.


É uma fotografia bastante concreta da Curitiba atual: uma cidade que investe pesado em infraestrutura e tenta modernizar sua mobilidade, mas que continua enfrentando problemas cotidianos de drenagem, trânsito, transporte e atendimento público.


Chuva forte expõe novamente a pressão sobre a infraestrutura


A segunda-feira terminou com uma mudança brusca no tempo. Entre a noite de 21 de setembro e a madrugada do dia 22, Curitiba registrou 73 milímetros de chuva em 12 horas na estação meteorológica do Barigui, volume equivalente a quase 60% da média esperada para todo o mês de setembro, segundo dados divulgados pela Prefeitura.


O temporal provocou alagamentos pontuais em pelo menos dez locais, quedas de árvores e problemas na circulação. Duas famílias ficaram desabrigadas e outras receberam atendimento da estrutura municipal. A Prefeitura informou ainda que equipes trabalharam na recuperação de semáforos e na retirada de árvores e galhos que bloquearam ruas.


O episódio recolocou a drenagem urbana no centro da discussão. Coincidentemente, a Prefeitura havia iniciado justamente no dia 21 serviços de limpeza e desobstrução de galerias de águas pluviais no Centro. A manutenção faz parte do programa PRO Curitiba e procura preparar a rede para períodos de chuva mais intensa.


A questão que fica para a cidade é menos sobre a existência de obras e mais sobre sua capacidade de acompanhar a mudança do padrão climático. Chuvas concentradas em poucas horas colocam pressão sobre galerias, rios, ruas, árvores e sistemas elétricos. A resposta pública precisa combinar manutenção preventiva, planejamento urbano e rapidez no atendimento emergencial.


Concurso abre 348 vagas na Prefeitura


Na área administrativa, uma das notícias de maior repercussão foi o anúncio de um novo concurso público da Prefeitura de Curitiba.


São 348 vagas distribuídas em dez cargos, sendo 280 para funções de nível médio e 68 para nível superior. O maior número de oportunidades é para agente administrativo, com 250 vagas. As inscrições estão previstas para o período de 7 de outubro a 5 de novembro, conforme as informações divulgadas sobre os editais.


O concurso chega em um momento em que a própria administração municipal trabalha com um orçamento crescente e uma série de projetos de infraestrutura e serviços. A contratação de servidores pode reforçar áreas que dependem diretamente de capacidade operacional, mas também aumenta a responsabilidade sobre a folha de pessoal e sobre a qualidade da gestão.


Para quem está fora do serviço público, a notícia tem outro significado: em um mercado de trabalho que continua exigindo qualificação, concursos municipais continuam funcionando como uma das principais portas de entrada para empregos estáveis.


Orçamento de R$ 16,58 bilhões coloca 2027 no radar


O maior número da semana veio da área financeira.


A Prefeitura apresentou a proposta de orçamento para 2027 com receitas e despesas brutas estimadas em R$ 16,58 bilhões, valor 7,5% superior ao previsto na Lei Orçamentária de 2026. A administração projeta R$ 1,81 bilhão em investimentos no próximo ano. A proposta deve ser encaminhada à Câmara Municipal até 30 de setembro e ainda será submetida à análise dos vereadores.


O tamanho do orçamento merece atenção porque transforma anúncios de obras e programas em uma discussão sobre prioridades. Mais recursos significam maior capacidade de investimento, mas também exigem controle sobre despesas correntes, pessoal, contratos e resultados efetivamente entregues.


A Câmara Municipal terá papel fundamental nessa etapa. A própria Casa anunciou audiência pública para tratar da situação das finanças do município, incluindo receitas, despesas, investimentos e metas fiscais acumuladas até agosto.


Para o cidadão, a discussão pode parecer distante, mas não é. É no orçamento que se decide quanto dinheiro estará disponível para escolas, unidades de saúde, transporte, pavimentação, drenagem, segurança urbana, parques e demais serviços.


Transporte entra em uma fase decisiva


A mobilidade foi outro eixo importante da semana.


Na quinta-feira (24), Prefeitura e BNDES realizaram um roadshow para apresentar a empresários do setor o modelo da nova concessão do transporte coletivo de Curitiba. O encontro serviu para esclarecer dúvidas sobre o edital e aproximar potenciais operadores do processo.


A nova concessão representa uma decisão estratégica para a cidade porque envolve o sistema que diariamente movimenta milhares de pessoas. O debate não pode ficar restrito à modelagem jurídica ou financeira do contrato. Para o passageiro, os resultados serão percebidos em frequência, pontualidade, lotação, conforto, acessibilidade, integração e qualidade dos veículos.


A discussão ganha ainda mais importância porque Curitiba simultaneamente moderniza seus corredores de ônibus. O BRT Leste-Oeste está passando por uma ampla requalificação, com intervenções em mais de 20 quilômetros de canaletas, estações e terminais, preparando o corredor para uma nova geração de ônibus, inclusive elétricos.


O desafio será fazer com que infraestrutura e contrato caminhem na mesma direção. Uma cidade pode construir corredores modernos, mas o usuário continuará insatisfeito se o serviço não entregar regularidade e qualidade.


Patinetes avançam e criam novo capítulo da mobilidade


Enquanto o transporte coletivo discute seu futuro, uma modalidade mais recente ganhou espaço.


Curitiba ampliou nesta semana o serviço de patinetes elétricos para mais 13 bairros. A operação passou a contar também com a empresa Woosh, além da Jet, elevando a oferta potencial para 2,5 mil equipamentos e levando o serviço a 16 bairros.


A expansão acompanha uma mudança comportamental visível nas cidades: trajetos curtos começam a ser disputados por diferentes meios de transporte. Bicicletas, patinetes, ônibus e automóveis deixam de funcionar como alternativas isoladas e passam a fazer parte de uma mesma rede de deslocamento.


Mas a expansão também exige fiscalização. A regulamentação municipal estabelece regras de circulação, limites de velocidade e locais onde os patinetes podem ou não circular. A Urbs também recebe reclamações pelo telefone 156.


A questão urbana agora é garantir que a micromobilidade ajude a reduzir deslocamentos de carro sem transformar calçadas e espaços compartilhados em áreas de conflito.


Grandes obras avançam enquanto motoristas enfrentam desvios


Na infraestrutura, o avanço mais expressivo foi registrado no novo Viaduto Curitiba-Pinhais. A Prefeitura concluiu a concretagem das lajes dos cinco vãos da estrutura, etapa que prepara a futura pista do viaduto que ligará a Avenida Victor Ferreira do Amaral à Rodovia João Leopoldo Jacomel.


A estrutura terá 155 metros de comprimento e 25,03 metros de largura, com três faixas de rolamento em cada sentido. A obra integra o Novo Inter 2 e inclui outras intervenções viárias na região da divisa entre Curitiba e Pinhais.


Ao mesmo tempo, obras do Novo Inter 2 provocaram mudanças no trânsito em diferentes bairros. A Rua das Sabiás, no Novo Mundo, foi totalmente bloqueada para serviços de drenagem e recomposição do asfalto, com interdição prevista até 15 de outubro. Também houve alterações no Capão Raso.


A equação é conhecida pelos curitibanos: obras são necessárias, mas seus efeitos imediatos aparecem na forma de congestionamentos, desvios e dificuldade de acesso a estabelecimentos comerciais. A qualidade da execução e o cumprimento dos cronogramas tornam-se tão importantes quanto o projeto final.


Trabalho: milhares de vagas, mas também necessidade de qualificação


A semana também foi marcada pela movimentação no mercado de trabalho.


Um mutirão realizado no Cajuru reuniu empresas, serviços de qualificação, empreendedorismo e orientação profissional. A Prefeitura anunciou mais de 16,5 mil vagas relacionadas à ação, além de serviços gratuitos para quem buscava emprego ou novas formas de geração de renda. Posteriormente, a administração informou que 302 pessoas foram encaminhadas para uma vaga após o evento.


O número impressiona, mas precisa ser interpretado com cuidado. Vagas disponíveis não significam necessariamente contratações imediatas. Exigências de experiência, formação, localização, horário e remuneração podem criar uma distância considerável entre a vaga anunciada e o trabalhador efetivamente contratado.


É justamente nessa lacuna que iniciativas de qualificação e aproximação entre empresas e candidatos podem produzir resultados mais duradouros.


Educação e inovação mantêm Curitiba em evidência


Na educação, três equipes de escolas municipais de Curitiba garantiram classificação para a etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica. Onze equipes participaram da fase estadual e três avançaram para a competição nacional, marcada para João Pessoa.


O desempenho se soma à presença do projeto municipal Linhas do Conhecimento entre os finalistas de uma premiação internacional de inovação educacional. A Prefeitura informou que a iniciativa concorre entre mais de 2,2 mil projetos inscritos no prêmio.


Mais do que troféus, esses resultados apontam para uma mudança no ambiente educacional, no qual tecnologia, criatividade e experiências fora da sala de aula ganham espaço. O desafio permanece em transformar iniciativas bem-sucedidas em políticas permanentes e abrangentes.


Dom Pedro Fedalto morre aos 100 anos


A notícia que encerrou a semana teve dimensão histórica e emocional.


Morreu na tarde deste sábado (26), aos 100 anos, Dom Pedro Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba. Ele havia completado um século de vida em 11 de agosto e permaneceu como uma figura conhecida da vida religiosa e social da capital.


A morte provocou manifestações de autoridades e da comunidade católica. O prefeito Eduardo Pimentel decretou três dias de luto oficial no município. A missa de corpo presente está marcada para segunda-feira (28), às 10 horas, na Catedral Basílica de Curitiba, seguida do sepultamento.


A trajetória de Dom Pedro atravessou diferentes fases de Curitiba e do Paraná. Sua presença pública durante décadas fez dele uma referência para gerações de curitibanos, independentemente da relação individual de cada pessoa com a religião.


Uma cidade em transformação, mas ainda pressionada pelo cotidiano


A semana de 21 a 26 de setembro deixa uma Curitiba dividida entre grandes projetos e problemas concretos.


De um lado, há um orçamento recorde, bilhões em investimentos, modernização do transporte, novas formas de mobilidade, concurso público e projetos de inovação. De outro, uma chuva forte ainda consegue produzir alagamentos, quedas de árvores e interrupções; obras necessárias provocam transtornos; e a qualidade dos serviços continua dependendo da capacidade de transformar recursos públicos em resultados mensuráveis.


Esse é talvez o principal retrato da Curitiba de 2026: uma cidade que dispõe de planejamento, recursos e projetos ambiciosos, mas que será cobrada pela população não pelo tamanho dos anúncios, e sim pela qualidade da entrega.


A próxima etapa será transformar os números do orçamento, as obras e os contratos em experiências concretas para quem mora nos bairros, trabalha no Centro, depende do ônibus, procura emprego ou simplesmente quer atravessar a cidade sem enfrentar um novo obstáculo. É nessa distância entre a Curitiba planejada e a Curitiba vivida que estarão as principais notícias das próximas semanas.



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