Dor no quadril pode indicar desde bursite até artrose grave, afetando pessoas de diferentes idades, incluindo jovens, atletas e idosos. O ortopedista e traumatologista Dr. Gladyston Matioski, do Hospital São Vicente e presidente da Regional Paraná da Sociedade Brasileira do Quadril, explica como diagnosticar a causa exata e quais tratamentos conservadores podem ser adotados antes de considerar a cirurgia.
Artrose, impacto femoroacetabular, bursites e tendinites podem ter sintomas semelhantes, mas exigem abordagens diferentes.
Uma dor na virilha, dificuldade para cruzar as pernas ou até um travamento do quadril podem ter diferentes causas. Entre os problemas que afetam a região estão a artrose, o impacto femoroacetabular, bursites e tendinites, mas a origem do sintoma é fundamental para definir o tratamento adequado.
"Os principais problemas do quadril se dividem em problemas intra-articulares, que ficam dentro da articulação, entre o fêmur e a bacia, e extra-articulares, que ficam fora dela", explica Matioski.
Diferentes problemas, diferentes tratamentos
Entre os problemas intra-articulares mais frequentes está a artrose, também chamada de coxartrose quando afeta o quadril. Inicialmente, o quadro pode ser tratado de forma conservadora, com fisioterapia, medicamentos e infiltrações. Em casos graves, pode haver indicação de cirurgia para colocação de prótese total do quadril.
Outro problema que pode afetar adultos jovens, especialmente atletas, é o impacto femoroacetabular, uma alteração entre o fêmur e a bacia. "Cada vez mais diagnosticado em atletas, se não for tratado precocemente, pode evoluir para artrose do quadril no futuro", alerta o especialista.
Já entre os problemas extra-articulares estão condições inflamatórias, como a bursite trocantérica, que ocorre em uma bolsa localizada na região lateral do quadril, e diferentes tipos de tendinite. Elas podem afetar os tendões dos glúteos, do reto femoral, do quadríceps, dos isquiotibiais e da região do piriforme.
Dor e dificuldade de movimento são sinais de atenção
A dor pode aparecer na virilha, na região lateral ou posterior do quadril e vir acompanhada de outros sinais. Travamento, sensação estranha pela manhã e dificuldade para realizar movimentos do dia a dia também indicam a necessidade de avaliação especializada.
"Também pode haver dificuldade de mobilidade: vestir meia ou calçado,, cortar a unha do pé ou cruzar a perna, por exemplo", destaca Matioski.
A prática de atividades físicas, principalmente as de alto impacto, pode estar relacionada a alguns problemas do quadril. "Corrida e esportes coletivos — futebol, basquete, handebol e tênis — podem gerar impacto excessivo no quadril. O que mais protege as articulações é fazer alongamento e fortalecimento, mantendo a musculatura forte para protegê-las.", afirma o médico.
Investigação começa pelo exame físico
A avaliação por um ortopedista é essencial para identificar a origem dos sintomas. O exame físico permite analisar a região da dor, verificar possíveis restrições de mobilidade, avaliar os ângulos dos movimentos e observar a marcha do paciente.
"A parte mais importante da investigação é procurar um ortopedista e fazer o exame físico. É muito importante avaliar a região da dor, verificar se há restrição de mobilidade, calcular os ângulos de mobilidade e avaliar a marcha, ou seja, a forma como o paciente caminha.", explica Matioski.
O raio-X é o primeiro exame complementar utilizado na investigação. Dependendo da suspeita clínica, podem ser necessários exames como tomografia e ressonância magnética.
Tratamento pode começar sem cirurgia
Nem toda alteração no quadril exige intervenção cirúrgica. A conduta depende da condição identificada e normalmente começa com tratamento conservador.
"Muitas das medidas são medicamentos, fisioterapia e retirada das atividades de impacto quando estão sobrecarregando o quadril. Normalmente, optamos por tratar de forma conservadora por alguns meses. Se o tratamento conservador falhar, a cirurgia pode ser indicada.", informa o especialista.
Artroscopia funciona em casos selecionados
Quando há indicação cirúrgica, uma das possibilidades é a artroscopia do quadril. Essa técnica minimamente invasiva é utilizada com frequência em casos de impacto femoroacetabular e lesões do labrum, especialmente quando o tratamento conservador não apresenta os resultados esperados.
Realizado por meio de pequenos acessos, o procedimento utiliza equipamentos específicos para avaliação e tratamento das estruturas da articulação. Segundo o especialista, entre as características da técnica estão menor sangramento e menos dor. A indicação depende da avaliação de cada caso..
Sobre o Hospital São Vicente
Segundo o material institucional enviado à redação, o Hospital São Vicente, em Curitiba, tem 86 anos de funcionamento e Acreditação ONA Nível 3, como Hospital de Excelência. Com estrutura moderna, oferece pronto atendimento 24 horas, centros médicos e serviços de diagnóstico e tratamento, centro de ortopedia, centro cirúrgico e UTI.
O hospital possui Certificação em Nível A para Transplantes Hepáticos e Renais pelo Ministério da Saúde, reconhecimento pela excelência e segurança nos procedimentos de transplante, consolidando sua posição como referência em transplantes de alta complexidade. Também conta com Acreditação ONA Nível 3 e classificação Ouro no Programa Segurança em Alta da Unimed.
Seu programa de Residência Médica é credenciado pelo Ministério da Educação (MEC) nas especialidades de Cirurgia Geral, Cirurgia Digestiva, Cancerologia Cirúrgica e Radiologia.
Fonte: V3Com/Hospital São Vicente. A grafia do nome do médico e a presidência regional foram conferidas na diretoria 2026–2027 da Sociedade Brasileira do Quadril.



