Segunda-feira, 26 de outubro de 2026 Tempo · Cotações · Horóscopo · Agenda · Guias

Três projetos do Paraná receberão apoio técnico e financeiro para reduzir a poluição do oceano

Iniciativas do Estado estão entre os destaques do Camp Oceano, um programa nacional da Fundação Grupo Boticário em parceria com a...

Iniciativas do Estado estão entre os destaques do Camp Oceano, um programa nacional da Fundação Grupo Boticário em parceria com a Fundação Araucária; 19 projetos de todo o País receberão um total de R$ 3,7 milhões

Três projetos ambientais inovadores desenvolvidos no Paraná receberão apoio técnico e financeiro para reduzir a poluição do oceano e mitigar os efeitos da crise climática em cidades costeiras. As propostas foram selecionadas pelo Camp Oceano, um programa nacional da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza realizado em parceria com a Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná. As iniciativas paranaenses estão entre os 19 projetos de todo o país que receberão suporte financeiro total de R$ 3,7 milhões para serem executadas a partir de 2022, ao longo de 12 a 36 meses.

“Estamos muito satisfeitos com o resultado deste processo. Contamos com a participação de muita gente criativa, bem preparada e comprometida com a sustentabilidade do oceano. Chegamos a propostas capazes de gerar impactos positivos e duradouros para a conservação de nossas áreas costeiras e marinhas”, comemora a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes. O Camp Oceano estimulou a cocriação de projetos a partir de capacitações, mentorias e suporte técnico, que agora recebem recursos para o desenvolvimento.

O projeto Igaú – Biorremediação com Algas Marinhas nas Comunidades Estuarinas Oceânicas, desenvolvido pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade do Paraná (Funespar), é uma das iniciativas de destaque. O projeto tem por objetivo apoiar as comunidades costeiras a reduzirem a poluição marinha pelo cultivo de algas que geram matérias-primas renováveis de interesse técnico-econômico e socioambiental, utilizando a capacidade do veleiro ECO e a experiência dos seus profissionais associados.

Também com foco na redução da poluição, a solução Polímera – criando uma cadeia produtiva solidária para o plástico interceptado e recuperado do mar será desenvolvida pela associação MarBrasil, que tem sede em Pontal do Sul. O projeto consiste no desenvolvimento de um modelo de geração de trabalho e renda com as comunidades de pescadores. É uma solução de tecnologia socioambiental para reduzir a poluição do mar por plásticos que utiliza um equipamento portátil e de baixo custo para a reciclagem e agregação de valor ao resíduo, baseando-se na economia circular e solidária para mobilizar a sociedade, retornar renda para as comunidades locais e conservar a sociobiodiversidade do lixo flutuante.

Já o Data Symbion, tambémdesenvolvido pela Associação MarBrasil, é um sistema de inteligência de meio ambiente (Environmental Intelligence) para ajudar tomadas de decisão baseadas em dados ambientais. A ferramenta – que dever ser aplicada em toda a extensão da Grande Reserva Mata Atlântica, compreendendo uma área entre Santa Catarina, Paraná e São Paulo, conta com um dashboard interativo para permitir acesso aos usuários de informações públicas ou privadas. Com análises robustas e ferramentas de inteligência artificial, a tecnologia proporciona um meio de compreender os impactos gerados pela emergência climática para mitigar os efeitos para a sociedade e para conservação da natureza.

Todas as iniciativas apoiadas neste ano respondem a pelo menos um dos três desafios apresentados pelo Camp Oceano: fomentar o turismo responsável, conservando a biodiversidade; reduzir a poluição no oceano e incidentes ambientais; e mitigar os efeitos da crise climática nas cidades costeiras. O Camp recebeu 138 propostas de solução envolvendo cerca de 900 participantes, com uma maioria de mulheres (54%). “Temos observado um crescente protagonismo feminino em projetos de conservação e não foi diferente no Camp Oceano”, frisa Malu. O projeto de biorremediação com algas marinhas, por exemplo, é liderado pela bióloga Franciane Pellizzari, professora da Unespar.

As propostas selecionadas são direcionadas para 11 estados brasileiros das regiões Sul, Sudeste e Nordeste e algumas delas têm potencial para serem aplicadas em toda a costa brasileira. “Além de buscarmos ideias inovadoras, procuramos iniciativas replicáveis, com benefícios significativos para a conservação e que também apresentassem viabilidade econômica”, explica a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

Sobre o processo

Iniciado em abril deste ano, o Camp Oceano – edição da teia de soluções, promovida pela Fundação Grupo Boticário, em parceria com a Fundação Araucária – recebeu 138 inscrições. As 40 melhores soluções apresentadas avançaram para um evento on-line de três dias de imersão, capacitações e conexões para aprimorarem suas ideias. Na sequência, 25 soluções seguiram para uma etapa de mentoria e detalhamento para aprofundarem ainda mais suas propostas.

A relação detalhada das 19 soluções contempladas pelo Camp Oceano está disponível para consulta nos sites www.fundacaogrupoboticario.org.br e https://camp.teiadesolucoes.com.br/.

Sobre a teia de soluções

O Camp Oceano é um dos formatos de seleção da teia de soluções da Fundação Grupo Boticário. Lançada em 2020 com dois processos seletivos, a teia estimulou, em suas primeiras edições, o desenvolvimento de propostas voltadas para o turismo responsável em áreas naturais e para a Grande Reserva Mata Atlântica – o maior remanescente do bioma no Brasil. Ao longo dos processos, 43 soluções foram acompanhadas e estruturadas com mentoria e apoio técnico. No final, seis foram selecionadas para receber apoio financeiro e serem impulsionadas. Em 2021, duas novas edições da teia trouxeram desafios relacionados à sustentabilidade do oceano e à proteção e desenvolvimento econômico do Cerrado.