As tendências de beleza que circulam nas redes sociais exigem cuidado antes de serem copiadas. Para leitores de Curitiba e do Paraná, a popularidade de um vídeo não demonstra que um produto ou procedimento seja seguro para a própria pele.
A Academia Americana de Dermatologia (AAD) alerta para práticas como microagulhamento e aplicação de preenchedores em casa. A entidade também ressalta que uma rotina divulgada por influenciadores não é adequada, necessariamente, a todos os tipos de pele.
Procedimento caseiro não fica seguro por aparecer em vídeo
Em orientação pública, a AAD aponta riscos de infecção e de técnicas inadequadas em procedimentos realizados sem os cuidados necessários. Filmar uma aplicação ou mostrar um resultado imediato não informa tudo o que aconteceu depois.
O aviso vale especialmente para tutoriais que envolvem perfurar a pele ou aplicar substâncias para alterar sua aparência. A facilidade de comprar um acessório não resolve dúvidas sobre indicação, higiene, técnica e tratamento de possíveis complicações.
Antes de reproduzir uma dica, identifique se ela descreve um cuidado cotidiano ou uma intervenção que exige avaliação profissional. Quando a explicação omite riscos e apresenta o resultado como garantido, faltam elementos para uma decisão informada.
Irritar os lábios não é uma técnica de cuidado
A AAD também alerta para o uso de pimentas com a intenção de aumentar temporariamente o volume dos lábios. A prática pode causar dermatite e deixar manchas. Um efeito visual provocado por irritação não deve ser confundido com um benefício.
A entidade inclui o consumo aleatório de suplementos entre as práticas preocupantes. Produtos anunciados para pele, cabelo e unhas não estão livres de efeitos adversos. Informar o que está sendo usado ajuda o profissional a avaliar a rotina completa.
Mais etapas nem sempre significam uma pele melhor
Em outra publicação, a AAD analisa a tendência conhecida como glass skin, associada à aparência de pele muito lisa e hidratada. A entidade reconhece aspectos positivos de hidratação e proteção solar, mas adverte que o uso de produtos em excesso pode provocar irritação, obstrução dos poros e lesões.
A comparação com imagens nas redes também pode gerar expectativas pouco realistas. O objetivo de um cuidado deve considerar a condição da pele e a tolerância da pessoa, em vez de reproduzir uma sequência apenas porque ela viralizou.
A AAD alerta ainda para a retirada da barreira protetora da cutícula em determinadas técnicas de manicure. A remoção pode favorecer infecções. Nem toda tendência se resume a cosméticos: unhas e procedimentos também precisam de avaliação crítica.
Peelings e fenol: confira a orientação brasileira
No Brasil, a Anvisa informa que o uso de produtos à base de fenol em procedimentos estéticos permanece proibido por medida preventiva. A agência também esclarece que não há produto com fenol regularizado com indicação para peeling.
Produtos regularizados como medicamentos ou dispositivos médicos continuam sujeitos às condições específicas de seus registros. Essa distinção não autoriza uso cosmético por conta própria nem transforma uma substância em opção segura para receitas caseiras.
O que conferir antes de seguir uma recomendação
- Quem apresenta a dica e se explica sua qualificação.
- Se há publicidade ou interesse comercial na indicação.
- Quais riscos e limitações foram informados.
- Se a orientação considera diferentes tipos de pele.
- Se existe indicação para procurar avaliação profissional.
Leve à consulta os nomes dos produtos e os vídeos que geraram dúvidas. Essa informação é mais útil do que tentar reproduzir um procedimento antes de esclarecer se ele é indicado.
Fontes: alertas da AAD sobre práticas inseguras, análise da entidade sobre tendências de cuidados com a pele e orientação da Anvisa sobre fenol. O conteúdo não substitui consulta dermatológica.



