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As músicas que dominaram cada ano dos anos 1990

há 1 dia
8 min de leitura

Atualizado: há 9 horas

Uma seleção baseada na Billboard Hot 100 revisita os dez maiores sucessos anuais dos anos 1990, década marcada por pop, R&B, rap e novas tecnologias.


Ilustração editorial mostra CDs, fita cassete, aparelho de som e televisão dos anos 1990 ao lado de um smartphone moderno reproduzindo músicas da década.
 Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.

Quem viveu os anos 1990 provavelmente não precisava de uma plataforma de streaming para encontrar música. Bastava ligar o rádio, esperar o videoclipe passar na televisão ou entrar em uma loja de discos para descobrir o que estava fazendo sucesso. A década teve baladas gigantescas, explosão do R&B, ascensão do rap, dance music, trilhas de cinema e uma mudança tecnológica que alteraria para sempre a maneira de consumir música.


Uma seleção publicada pela Mental Floss recupera uma música para cada ano da década, tomando como critério o desempenho no ranking anual da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos. Portanto, a lista não pretende responder qual foi artisticamente a “melhor” canção de cada ano, mas identificar aquela que terminou a temporada no topo do levantamento anual.


O resultado é uma viagem por dez músicas que, cada uma à sua maneira, ajudam a reconstruir o ambiente cultural da época. Algumas continuam presentes em festas e rádios; outras ganharam nova vida por causa de filmes, televisão, redes sociais e plataformas digitais.


1990 a 1994: o começo da década ainda era feito de grandes vozes


1990 — Wilson Phillips, “Hold On”


“Hold On” abriu a década no topo da classificação anual da Billboard. O grupo Wilson Phillips reunia Carnie e Wendy Wilson, filhas de Brian Wilson, dos Beach Boys, e Chynna Phillips, filha de John e Michelle Phillips, do The Mamas & the Papas.


A música combinava harmonias vocais características do pop americano com uma mensagem de perseverança. A composição também carregava uma dimensão pessoal para Chynna Phillips, que posteriormente contou ter escrito a letra em um período difícil de sua vida. O sucesso transformou o trio em uma das novas forças do pop no início da década.



1991 — Bryan Adams, “(Everything I Do) I Do It for You”


Em 1991, a grande música do ano veio diretamente do cinema. “(Everything I Do) I Do It for You” foi lançada na trilha de Robin Hood: Prince of Thieves e rapidamente deixou de ser apenas uma canção de filme para se transformar em um dos maiores sucessos românticos daquele período.


Bryan Adams e o produtor Robert “Mutt” Lange escreveram a música a partir do material criado para o filme. A gravação tornou-se um exemplo clássico da força que uma trilha cinematográfica podia exercer sobre as paradas de música popular.



1992 — Boyz II Men, “End of the Road”


O R&B vocal ganhou um de seus maiores momentos com “End of the Road”. Escrita por Babyface, Daryl Simmons e L.A. Reid para o filme Boomerang, a música colocou o Boyz II Men no centro da música popular americana.


A canção permaneceu 13 semanas no topo da Billboard Hot 100, um recorde na época. A força das harmonias, combinada à produção típica do R&B daquele período, ajudou a estabelecer o grupo como uma referência para uma geração de cantores e grupos vocais.



1993 — Whitney Houston, “I Will Always Love You”


Poucas gravações representam tão bem a força da indústria fonográfica dos anos 1990 quanto a interpretação de Whitney Houston para “I Will Always Love You”.


A composição não era nova. Dolly Parton havia escrito e gravado a música em 1973. Quase 20 anos depois, Whitney Houston transformou a canção em uma poderosa balada para The Bodyguard, filme em que também atuou. A gravação tornou-se o principal sucesso musical de 1993 e permanece como uma das interpretações mais reconhecidas da carreira da cantora.


O episódio também demonstra como o cinema funcionava como uma enorme vitrine para a música. Um filme de grande bilheteria podia levar uma canção às rádios e, simultaneamente, uma música de sucesso ajudava a manter o filme na memória do público.



1994 — Ace of Base, “The Sign”


A música de 1994 veio da Suécia. “The Sign”, do Ace of Base, misturava pop, reggae, elementos eletrônicos e referências da dance music europeia.


O sucesso também mostrou como a música escandinava começava a ganhar espaço significativo no mercado americano. O grupo ajudou a preparar o terreno para a influência que compositores e produtores suecos exerceriam sobre o pop internacional nas décadas seguintes.



1995 e 1996: rap e dança entram definitivamente no centro da cultura pop


1995 — Coolio feat. L.V., “Gangsta’s Paradise”


A escolha de 1995 é particularmente significativa porque mostra o rap ocupando o centro da música popular. “Gangsta’s Paradise”, de Coolio com participação de L.V., foi associada ao filme Dangerous Minds, estrelado por Michelle Pfeiffer.


A música utilizava elementos de “Pastime Paradise”, de Stevie Wonder, enquanto sua letra abordava violência, desigualdade e a realidade das ruas. A presença de Pfeiffer no videoclipe ampliou ainda mais a ligação entre Hollywood e a cultura hip-hop.


O sucesso mostrou que o rap já não era apenas um gênero de nicho. Ele havia se transformado em uma força comercial capaz de disputar espaço diretamente com o pop, o rock e o R&B.



1996 — Los del Río, “Macarena (Bayside Boys Mix)”


Se “Gangsta’s Paradise” representa a expansão do rap, “Macarena” representa a capacidade de uma música atravessar fronteiras culturais por meio da dança.


A gravação original do duo espanhol Los del Río recebeu diferentes versões, mas foi o remix dos Bayside Boys que conquistou o mercado americano. A mistura de espanhol, inglês, ritmo dançante e uma coreografia simples criou um fenômeno que saiu das pistas e chegou a festas, escolas, programas de televisão e grandes eventos.


A música também mostrou que, na cultura pop dos anos 1990, uma coreografia podia ser tão importante quanto a própria gravação para transformar uma canção em fenômeno de massa.



1997 a 1999: a música entra em uma nova era


1997 — Elton John, “Candle in the Wind 1997 / Something About the Way You Look Tonight”


A história de “Candle in the Wind” começou em 1973, quando Elton John e Bernie Taupin escreveram a música inspirada em Marilyn Monroe e na relação entre fama, juventude e morte.


Em 1997, após a morte da princesa Diana, Taupin reescreveu a letra para homenageá-la. Elton John apresentou a nova versão no funeral da princesa, e a gravação rapidamente se tornou um fenômeno mundial.


No ranking anual da Billboard, o single aparece como “Candle in the Wind 1997 / Something About the Way You Look Tonight”. A RIAA registra a gravação como o único single físico a alcançar certificação Diamond dentro de seu programa de Gold & Platinum.



1998 — Next, “Too Close”


Em 1998, o R&B voltou ao topo com “Too Close”, do grupo Next. A música combinava produção dançante, vocais de R&B e uma abordagem mais sensual, características que estavam ganhando espaço no pop americano.


A faixa também carregava uma ligação com a história do hip-hop: sua base utilizava elementos de “Christmas Rappin’”, de Kurtis Blow, lançada em 1979. O resultado foi uma música que conectava diferentes momentos da música negra americana.



1999 — Cher, “Believe”


A década terminou com uma música que antecipava o som dos anos 2000. “Believe”, de Cher, foi um enorme sucesso de pista e rádio, mas também ficou marcada pela utilização de processamento eletrônico da voz.


O efeito associado ao Auto-Tune ajudou a popularizar uma estética que posteriormente se tornaria comum no pop, no R&B e em outros gêneros. Em vez de esconder a manipulação digital, a produção transformou o efeito em parte perceptível da gravação.


O sucesso também representou uma nova fase na carreira de Cher. Aos 52 anos, a cantora voltou ao topo das paradas com uma música de sonoridade contemporânea e conquistou seu primeiro Grammy.



Uma década de transformação no mercado musical


As dez músicas contam uma história maior do que a simples sucessão de hits. No começo dos anos 1990, a indústria ainda dependia fortemente de rádios, televisão, lojas de discos e grandes campanhas promocionais. O CD estava substituindo rapidamente a fita cassete e alterando o modelo econômico das gravadoras.


Segundo a RIAA, em 1992 as vendas de CDs nos Estados Unidos já haviam ultrapassado as de fitas cassete. O novo formato aumentou a importância dos álbuns e ajudou a sustentar um período de forte faturamento para a indústria fonográfica.


Ao mesmo tempo, os videoclipes ganharam importância como ferramenta de divulgação. Artistas não vendiam apenas uma gravação: vendiam imagem, estilo, coreografia e narrativa. “Macarena”, por exemplo, dificilmente teria alcançado o mesmo impacto sem a dança que acompanhava a música.


O cinema também aparece repetidamente na lista. Bryan Adams, Boyz II Men, Whitney Houston e Coolio tiveram músicas diretamente associadas a filmes. Essa relação entre Hollywood e indústria fonográfica ajudou a transformar trilhas sonoras em produtos de enorme alcance comercial.


No final da década, entretanto, o cenário começava a mudar novamente. A popularização dos computadores, da internet e posteriormente dos formatos digitais preparava uma ruptura que atingiria profundamente a indústria fonográfica nos anos seguintes.


Uma playlist que também é uma cápsula do tempo


A lista da Mental Floss permite ouvir os anos 1990 como uma sequência de mudanças. Wilson Phillips representa o começo da década; Bryan Adams mostra a força das baladas cinematográficas; Boyz II Men e Whitney Houston evidenciam o poder do R&B; Ace of Base leva o pop europeu às rádios americanas; Coolio mostra a consolidação do rap; Los del Río transforma uma dança em fenômeno mundial; Elton John conecta música e acontecimento histórico; Next representa o R&B de final de década; e Cher encerra o período com uma sonoridade que apontava para o futuro.


Não significa que essas sejam, necessariamente, as melhores músicas artisticamente produzidas em cada ano. O critério da lista é comercial: a posição de cada gravação no ranking anual da Billboard Hot 100.


Essa diferença muda a maneira de interpretar o levantamento. Em 1993, por exemplo, “I Will Always Love You” ficou em primeiro lugar, mas o mesmo ranking anual também reunia Janet Jackson, Mariah Carey, Dr. Dre, Boyz II Men, Duran Duran e Tina Turner. Em 1999, Cher ficou no topo, enquanto Britney Spears, TLC, Backstreet Boys, Ricky Martin, Santana e Christina Aguilera também apareciam entre os grandes sucessos do ano.


É justamente essa variedade que torna a década interessante. Os anos 1990 não tiveram uma única identidade musical. Foram uma ponte entre o pop produzido no final do século 20 e a indústria digital que surgiria com força no século seguinte.


Para quem viveu aquela época, basta ouvir alguns segundos de qualquer uma dessas músicas para uma lembrança específica reaparecer: uma festa, uma viagem, um namoro, um programa de televisão, uma fita gravada do rádio ou aquele CD comprado depois de semanas juntando dinheiro.


Talvez seja essa a medida mais difícil de colocar em qualquer ranking: a música que não foi necessariamente a maior da década, mas que continua sendo a maior para alguém.


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Edição: Marcos Paulo Assis

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

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