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Desconstruir o homem-ser-restrito

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
    Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
  • 13 de ago. de 2021
  • 2 min de leitura

Paiva Netto

A brevidade do tempo é o fantasma que atormenta o homem-ser-restrito, até que, um dia, ele perceba que, na verdade, é Espírito Eterno, pairando acima de todos os grilhões da carne perecível limitante.

A Alma Imortal, criada à imagem e semelhança de Deus-Espírito, traz em si infinita fonte de Esperança.

Dessa maneira, veremos que o tempo é, na realidade, o nosso fiel amigo, que nunca deve ser negligenciado, o que, muitas vezes, fazemos inconsequentemente. Cabe mencionarmos este instigante pensamento atribuído a

Abraão Lincoln

(1809-1865), 16

o

presidente dos Estados Unidos, que se encontrava exposto no gabinete do

Irmão Zarur

(1914-1979), no Rio de Janeiro/RJ:

“O homem que se decide a parar até que as coisas melhorem verificará, mais tarde, que aquele que não parou e colaborou com o tempo estará tão adiante, que jamais poderá ser alcançado”.

Tenho afirmado em minhas palestras fraternas que,

se é difícil, comecemos já, ou melhor, ontem!, porquanto muito resta a ser feito

. Leiamos o testemunho, em forma de poesia, da lavra do médico e poeta

Laurindo Rabelo

(1826-1864), fundamental para o nosso aprendizado. O “Poeta Lagartixa” — assim conhecido porque era magro e de estatura alta — possuía um espírito francamente crítico. Vendo quanto tempo tinha perdido em coisas fúteis que antes considerava sérias, ele aconselha aqueles que desperdiçam oportunidades a não mais cometer essa falta grave, para mais tarde não chorar amargamente. Eis o extraordinário soneto: A CONTA DO TEMPO

Deus pede estrita conta do meu tempo;
Forçoso é do meu tempo já dar conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para ter minha conta feita a tempo,
Dado me foi bom tempo e não fiz conta;
Não quis, sobrando tempo, fazer conta;
Quero hoje fazer conta e falta o tempo.
Oh! vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis esse tempo em passatempo!
Cuidai de, enquanto é tempo, fazer conta!
Mas, ah! se os que contam com seu tempo,
Tivessem desse tempo alguma conta,
Não choravam, como eu, o não ter tempo!

Costumo dizer que

o tempo vai passar de qualquer maneira

.

Não o percamos. Gastemo-lo praticando o Bem.

E, ao compreender nossa origem divina, jamais olvidaremos esta salvadora lição evangélica deixada pelo Sublime Professor:

“Ajuntai para vós tesouros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não escavam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”

(Evangelho de

Jesus

, segundo

Mateus

, 6:20 e 21).

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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