Dengue: conheça dez fatos importantes sobre transmissão, sintomas e prevenção

Comportamento do Aedes aegypti, sinais de gravidade, riscos da automedicação e vacinação estão entre os pontos que ajudam a combater a doença

A prevenção da dengue depende do conhecimento sobre o comportamento do Aedes aegypti, os sintomas da doença e as medidas necessárias para reduzir o risco de transmissão e de complicações.
O Dia Mundial do Mosquito, lembrado em 20 de agosto, reforça a importância do combate às doenças transmitidas por esses vetores.
Confira dez informações importantes sobre a dengue.
1. O mosquito apresenta hábitos predominantemente diurnos
O Aedes aegypti costuma picar principalmente durante o dia, com maior atividade no início da manhã e no fim da tarde. Embora seja menos comum, o mosquito também pode picar à noite, especialmente em ambientes iluminados.
Por esse motivo, as medidas de proteção devem ser mantidas ao longo do dia. Entre as orientações estão o uso de repelentes registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), roupas que cubram a pele e telas em portas e janelas.
Durante a noite, recomenda-se manter portas e janelas protegidas, utilizar mosquiteiros — especialmente para bebês, pessoas acamadas e quem dorme durante o dia — e eliminar possíveis criadouros.
O repelente deve ser utilizado de acordo com as instruções do fabricante.
2. O Aedes aegypti vive perto das pessoas
O Aedes aegypti é um mosquito doméstico, adaptado às áreas urbanas e à convivência com os seres humanos.
Ele costuma permanecer dentro ou nas proximidades de residências, escolas, estabelecimentos comerciais e outros locais frequentados por pessoas.
A fêmea se alimenta de sangue para completar o desenvolvimento dos ovos e procura recipientes com água para depositá-los.
Por isso, a vistoria desses ambientes deve fazer parte da rotina. Vasos de plantas, calhas, ralos, pneus, garrafas, caixas-d’água e outros recipientes podem se transformar em criadouros.
Eliminar esses pontos e manter os reservatórios tampados ajuda a interromper o ciclo de reprodução do mosquito.
3. Água parada é o principal problema, esteja limpa ou suja
Mais importante do que a aparência da água é a possibilidade de o recipiente servir como criadouro.
Vasos de plantas, calhas, ralos, pneus, garrafas, caixas-d’água e outros objetos capazes de acumular água devem ser esvaziados, limpos ou mantidos bem tampados.
4. Os ovos resistem em ambientes secos
Os ovos do Aedes aegypti podem permanecer viáveis por mais de um ano em superfícies secas.
Quando entram novamente em contato com a água, podem retomar o ciclo de desenvolvimento.
Não basta apenas retirar a água dos recipientes. Também é importante esfregar as paredes para remover os ovos aderidos às superfícies.
5. Uma pessoa pode ter dengue mais de uma vez
Existem quatro sorotipos do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.
Depois da infecção, a pessoa desenvolve proteção duradoura principalmente contra o sorotipo que provocou a doença. Isso significa que ela ainda poderá ser infectada pelos demais.
Infecções subsequentes também estão associadas a um risco maior de evolução para dengue grave.
6. O sorotipo DENV-2 nem sempre é o mais grave
Embora alguns estudos tenham observado maior risco de dengue grave em crianças infectadas pelo DENV-2, isso não significa que esse sorotipo provoque sempre os quadros mais graves.
A evolução depende de fatores como idade, condições de saúde e histórico de infecções anteriores.
Independentemente do sorotipo, pessoas com sintomas devem receber acompanhamento adequado e observar os sinais de alerta.
7. A dengue pode afetar diferentes partes do organismo
A dengue é considerada uma infecção sistêmica porque pode causar manifestações em diferentes partes do corpo, e não apenas no local da picada ou em um único órgão.
Na maioria dos casos, a evolução é favorável. Entretanto, alguns pacientes podem apresentar sinais que exigem atendimento médico imediato, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, dificuldade para respirar, fraqueza ou desmaio.
Os sinais de dengue grave podem aparecer depois da diminuição da febre. Portanto, a redução da temperatura não significa necessariamente que a pessoa esteja se recuperando.
8. Alguns sintomas persistem depois da febre
A maioria das pessoas se recupera em uma ou duas semanas, mas a fadiga pode permanecer por várias semanas depois da infecção.
Cansaço, dores no corpo ou dificuldade para retomar as atividades cotidianas devem ser acompanhados, especialmente quando forem intensos ou persistentes.
9. A automedicação pode aumentar os riscos
Em caso de suspeita de dengue, medicamentos com ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e cetoprofeno, não devem ser utilizados sem orientação médica.
Esses medicamentos podem aumentar o risco de sangramentos.
Não existe um tratamento antiviral específico para a dengue. O cuidado costuma ser baseado em hidratação, repouso, controle dos sintomas e acompanhamento de acordo com a gravidade.
A escolha de qualquer medicamento deve ser orientada por um profissional de saúde.
10. A prevenção combina diferentes estratégias
A principal medida de prevenção continua sendo o controle do Aedes aegypti, com a eliminação de recipientes que acumulam água e a mobilização da comunidade.
Também podem ser adotadas medidas individuais, como uso de repelentes registrados pela Anvisa, roupas que cubram a pele, telas em portas e janelas e mosquiteiros.
A vacinação é outra estratégia de prevenção, conforme a idade, a disponibilidade dos imunizantes e as orientações do Ministério da Saúde.
A Qdenga, produzida pela Takeda, possui registro da Anvisa para pessoas entre 4 e 60 anos e é administrada em duas doses, com intervalo de três meses. No SUS, a estratégia contempla adolescentes de 10 a 14 anos.
O Brasil também conta com a vacina de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante está licenciado para pessoas de 12 a 59 anos e, na estratégia inicial do SUS, é recomendado para a população de 15 a 59 anos, com ampliação gradual de acordo com a disponibilidade de doses e as definições do Ministério da Saúde.
A indicação individual deve respeitar as contraindicações e a orientação dos serviços de saúde.
Quando procurar atendimento
Pessoas com suspeita de dengue devem procurar orientação médica, manter a hidratação e acompanhar atentamente a evolução dos sintomas.
Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, respiração acelerada, fraqueza, desmaio, sede excessiva e pele pálida ou fria são sinais que exigem atendimento imediato.
Fontes
Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Organização Mundial da Saúde; manual “Dengue: diagnóstico e manejo clínico: adulto e criança”; e estudo publicado no periódico The Lancet Infectious Diseases.
Pauta baseada em material informativo encaminhado pela Takeda. As orientações sobre vacinação foram atualizadas com dados oficiais do Ministério da Saúde e da Anvisa.



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