Médicos brasileiros e norte-americanos estão em alerta. É cada vez maior o número de executivos no país recorrendo à terapia de reposição hormonal para combater efeitos normalmente associados ao estresse e ao envelhecimento.
No Brasil, os riscos à saúde representados pela denominada “medicina antienvelhecimento” (anti-aging), serão tema de debate durante o XVIII Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia (CBGG), maior encontro de especialistas em saúde na terceira idade, que reunirá mais de 3 mil pessoas, nos dias 22 a 25 de maio, no Centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro (RJ).
Segundo a presidente do Congresso e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Silvia Pereira, a prática do “anti-aging” não possui comprovação científica quanto à sua eficácia e se baseia na promessa aos pacientes de reverter ou minimizar os sintomas da idade avançada, principalmente os relacionados à estética e ao organismo saudável. “A população precisa saber que na verdade não há fórmula capaz de evitar os impactos da idade sem mudança de hábitos de vida e acompanhamento preventivo ou terapêutico, quando necessário”, salienta a médica.
Para discutir a situação da prática antienvelhecimento no Brasil e no mundo, o encontro promoverá logo na abertura (22/05), a partir das 10h, a conferência internacional “Medicina anti-aging e análises críticas baseadas em evidências científicas”, proferida pelo convidado norte-americano e especialista em longevidade, Thomas Perls, da Boston University School of Medicine (USA). Perls irá apresentar estudos sobre os perigos da prática do anti-aging.
Perigos
Dentre os perigos da medicina antienvelhecimento estão os efeitos da reposição de nutrientes no organismo. De acordo com o presidente da Comissão Científica do Congresso, Sabri Lakhdari, muitos especialistas adeptos à prática não pensam na toxicidade representada pela ingestão de algumas substâncias como a vitamina A, que pode aumentar risco de câncer de pulmão em fumantes, e o lítio, indicado para o tratamento de transtorno bipolar, que quando mal empregado pode causar Síndrome de Parkinson.
Outro exemplo é o hormônio do crescimento (GH), receitado com frequência e que pode aumentar a incidência de cânceres. Entretanto, a pessoa ganha músculos e queima gordura com facilidade. “O efeito é ótimo, física e esteticamente falando, mas por dentro, o organismo é deteriorado”, relata Sabri.
Envelhecer é um processo natural, não há como evitar ou parar o tempo. Para prevenção de envelhecimento patológico, ou seja, do envelhecimento doentio, é necessário promover saúde sem recorrer à poções mágicas, mas por meio de cuidados adequados e de uma adequada higiene de vida”, alerta Sabri.
Fórum CFM, AMB e sociedades de especialidade será aberto à população
Na tarde de 25 de maio, logo após as atividades do Congresso, será realizado um fórum para discutir o antienvelhecimento. O encontro será aberto ao público e contará com a participação de geriatras, gerontólolos, representantes do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB), além de sociedades de especialidades também contrárias ao antienvelhecimento. Já confirmaram presença a Endocrinologia, Ginecologia, Dermatologia, Clínica Médica e Geriatria e Gerontologia.
O objetivo é discutir mecanismos que coíbam a prática no Brasil. Recentemente, com a publicação de uma resolução do CFM para regulamentar a publicidade médica ficou proibida a utilização do termo “anti-aging” para referenciar à atividade, para não transmitir uma falsa ideia para a população de que se trata de especialidade médica reconhecida, com embasamento científico. <tatiana@rspress.com.br>
XVIII Congresso de Geriatria e Gerontologia
Data: de 22 a 25 de maio
Horário: das 8h às 18h.
Local: Centro de Convenções Sul América – Rio de Janeiro - RJ.
Programação: http://www.cbgg2012.com.br/
Fórum CFM, AMB e sociedades de especialidade
Data: 25 de maio
Horário: 14h às 18h
Local: Sala A - Centro de Convenções Sul América – Rio de Janeiro - RJ.