Traçar um panorama do mercado imobiliário de Curitiba e região metropolitana e identificar as características do consumidor local. Esses foram os assuntos abordados pelo diretor da Galvão Planejamento Imobiliário e Vendas, Gerson Carlos da Silva, e pela diretora da Nuna Planejamento e Marketing Imobiliário, Adriana Samaan, na palestra “O boom do mercado imobiliário curitibano – perfil e tendências”, ministrada na 8a Feira de Gestão da FAE.
“A entrada de grandes empresas de capital aberto, advindas de outros Estados, têm alterado profundamente a dinâmica do mercado imobiliário curitibano, refletida em uma valorização no preço do metro quadrado, antes considerado o mais baixo do país, e verticalizando a cidade. Outra mudança significativa foi a volta da compra na planta. Os brasileiros não tem o hábito de poupar, por isso a grande maioria dos compradores, em especial da classe média, adere a esta modalidade se comprometendo com uma poupança durante a obra e depois assumindo o financiamento”, destaca Silva.
De acordo com dados do Sinduscon-PR, nas construções em andamento predominam os empreendimentos com três pavimentos, que correspondem a 66% do número de alvarás liberados no primeiro semestre deste ano, totalizando 8.298 unidades a serem concluídas.
Em relação ao tamanho e ao preço médio dos imóveis lançados, destacam-se os de até 80 m2 de área privativa, com valor entre R$ 151 mil e R$ 240 mil. “Também é possível observar um aquecimento no segmento de condomínios residenciais, que em número de unidades entregues equivale ao dobro dos apartamentos”, conta Silva.
O preço de oferta dos imóveis no último ano teve variação de 10,47%, para os apartamentos novos de três dormitórios, a 34,5%, para os terrenos. Os imóveis usados tiveram uma valorização de 20,5%. “Esta valorização, somada às facilidades de acesso ao crédito, está estimulando a aquisição do segundo imóvel. Cerca de 20% das unidades comercializadas de um empreendimento são destinadas para investimento”, explica Silva.
Para os próximos anos, Silva destaca que a tendência é o aumento no número empreendimentos lançados na Região Metropolitana de Curitiba, principalmente nos municípios de São José dos Pinhais, Colombo, Piraquara, Fazenda Rio Grande, Araucária e Almirante Tamandaré.
Consumidor – Segundo a diretora da Nuna Planejamento e Marketing Imobiliário, Adriana Samaan, três requisitos são indispensáveis na escolha do imóvel pelo consumidor curitibano. “Ele prioriza a escolha em seu bairro de origem, é bastante exigente em relação ao acabamento e detalhamento da unidade e não abre mão da privacidade”, conta.
Além disso, ela afirma que o tipo de aquisição – primeiro ou segundo imóvel – torna o critério de seleção ainda mais rigoroso. “No primeiro imóvel, são levados em conta o valor da prestação e a taxa de condomínio, uma estrutura de lazer que proporcione a integração e o paisagismo. Na segunda aquisição, conforto e sofisticação são prioridades”, cita Adriana.
Para os próximos anos, a diretora acredita num crescimento expressivo da classe C no mercado imobiliário curitibano, com fortalecimento do segmento popular. “Auxiliado pela ampliação das formas de financiamento do imóvel, inclusive com recursos do FGTS, esses públicos tendem a sair do aluguel e comprar a casa própria”, diz Adriana.
Números:
- 40% é o crescimento da quantidade de área liberada para construção residencial em sete anos em Curitiba, totalizando 1.689.103 m2
- 45% é o crescimento da quantidade de área liberada para construção comercial em sete anos em Curitiba, totalizando 597.398 m2
- o lançamento de unidades residenciais em empreendimentos verticais quase quadruplicou em sete anos em Curitiba, passando de 991 para 3.921 imóveis.
Fonte: Sinduscon-PR